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Pós-capitalização, ação da Petrobrás decepciona

Mercado esperava uma forte alta, mas os papéis subiram apenas 0,76% ontem na Bolsa de Valores de São Paulo

Roberta Scrivano, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2010 | 00h00

O primeiro dia de negociação das novas ações da Petrobrás assustou os pequenos investidores. Com a conclusão da capitalização (de cerca de R$ 120 bilhões) esperava-se uma forte alta nos papéis da estatal.As ações, no entanto, subiram somente 0,76% na sessão de ontem da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), para R$ 26,50.

Sergio Manoel Correia, analista da LLA Investimentos, afirma que a leve alta só ocorreu porque o mercado mundial estava otimista e não por causa da capitalização.

"Houve boas notícias no Japão, por isso o mercado abriu de bom humor", diz. "O reflexo da capitalização nas cotações ainda vai demorar um pouco para vir", avalia o especialista em mercado de capitais.

Outras blue-chips (ações mais negociadas na bolsa), tiveram altas significativas ontem. A Vale PNA, por exemplo, subiu 2,10% e encerrou a sessão a R$ 45,60; a Gerdau PN teve valorização de 1,28%, a R$ 22,90. "A Petrobrás subiu abaixo da média do mercado", completa Correia.

Muitos investidores compraram papéis da Petrobrás com o intuito de realizar lucro (vender a um preço mais alto que o de compra) no curtíssimo prazo.

"É uma visão equivocada. É no longo prazo que a Petrobrás vai demonstrar lucro", estima Ernesto Lozardo, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV/SP).

Preço menor. Durante a sessão de ontem, os papéis chegaram a perder 0,40% e ficaram mais baratos do que o preço vendido na hora da capitalização (de R$ 26,30) que tinha desconto de 1,8%.

Para Ricardo Almeida, professor de finanças do Insper (ex-Ibmec São Paulo), daqui em diante as ações da estatal vão apresentar rentabilidade normal ou até um pouco maior, mas daqui a um ano.

Ele esclarece que, tecnicamente, "rentabilidade normal" quer dizer ganhos de 5,7% ao ano acima da média da renda fixa. "Render mais do que isso depende do cumprimento dos cronogramas do plano estratégico de investimentos", comenta.

Celso Grisi, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) é mais otimista que Almeida. Para ele, até o fim do ano que vem os papéis PN da companhia vão subir 20%, o que colocaria os papéis próximos dos R$ 30.

"O pequeno investidor deve sempre olhar o longo prazo. Não dá para dizer, por exemplo, se daqui a um mês haverá alta nas cotações", indica.

Por este motivo, Grisi diz que não se deve investir em ações, sobretudo nas da Petrobrás, recursos que poderão fazer falta.

"O ideal é deixar o dinheiro aplicado por pelo menos três anos", ensina.

Compare os investimentos. A primeira capitalização da Petrobrás ocorreu em junho de 2000. Levando em consideração essa data até hoje, as ações da companhia demonstraram forte valorização de 533,97%.

A título de comparação, as ações PNA da Vale, no mesmo período, subiram 1.564%. A caderneta de poupança, por sua vez, rendeu 128,33% na década.

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