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Pós-fixados só devem se beneficiar no curto prazo com alta do juro em 2011

Apesar de possível alta de juro, especialistas apostam em títulos prefixados e de inflação em 2011

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios/ Arte: Cyntia Ueda,

23 de dezembro de 2010 | 14h38

SÃO PAULO - Cada vez mais cresce a corrente de economistas e investidores que acreditam que o Banco Central já em sua próxima reunião - em 18 e 19 de janeiro - irá aumentar a taxa básica de juros (Selic). Nos investimentos, isso significa que os títulos pós-fixados que acompanham a Selic tendem a ter uma melhor rentabilidade no curto prazo. Apesar disso, especialistas tem sugerido papeis prefixados e pós-fixados que seguem o IPCA, negociados no site do Tesouro Direto.

O novo governo da presidente eleita Dilma Rousseff desde a vitória nas eleições tem dito que terá uma maior preocupação com o controle dos gastos públicos e busca ao longo do tempo diminuir os juros reais (Selic descontada a inflação). Esse cenário, dizem especialistas, aponta para uma queda do juro no médio e longo prazo. "A inflação tende a ficar rodando no centro da meta - 5% - e o juro real a cair", diz o gestor de renda fixa da corretora de valores Coinvalores, Paulo Celso Nepomuceno.

A expectativa de alta foi reforçada ainda mais no Relatório de Inflação divulgado ontem pelo BC. "Importante destacar que, no regime de metas para a inflação, desvios em relação à meta, na magnitude dos implícitos nessas projeções, sugerem necessidade de implementação, no curto prazo, de ajuste na taxa básica de juros, de forma a conter o descompasso entre o ritmo de expansão da demanda doméstica e a capacidade produtiva da economia, bem como de reforçar a ancoragem das expectativas de inflação", afirmou o BC.

"Esse aumento do juro já está no preço dos prefixados", diz o sócio da M2 Investimentos Luiz Gustavo Medina. "Nos últimos meses o juro pago nos prefixados subiu bastante", afirma o economista da WinTrade, José Góes. A Letra do Tesouro Nacional (LTN) com vencimento em 2012, por exemplo, há três meses oferecia o retorno de 11,38%, rentabilidade que atualmente subiu para 11,96%.

Já os títulos pós-fixados que seguem a inflação do IPCA trazem a vantagem de proteger o investidor contra altas de preço no longo prazo. Geralmente, esses papéis têm vencimento longo. No Tesouro Direto, somente um título vence em aproximadamente um ano (2012). O restante vence a partir de 2015. "É muito difícil traçar projeções para a inflação no longo prazo. Esses títulos preservam o poder de compra do investidor", explica Nepomuceno.

O professor do Insper, Ricardo Torres, chega a fazer uma sugestão de carteira: "Se o investidor acredita nesse cenário de que o juro não vai subir muito, pode colocar 60% em prefixado e 40% em pós-fixado".

Aplicações sofisticadas

Quem já possui algum conhecimento sobre investimentos há alternativas mais sofisticadas, que por um lado oferecem maior retorno, mas também maior risco por conta da baixa liquidez. As debêntures - títulos negociados na Bolsa que representam a dívida de uma empresa com o investidor - são uma delas. "A necessidade de buscar caixa faz as empresas lançarem esses títulos, que podem ser comprados por meio de corretoras. A rentabilidade na maioria das vezes é maior do que paga um título público cujo risco de calote é muito baixo", diz o consultor Mauro Calil.

Muitas debêntures possuem preço elevado, a partir de R$ 10 mil. Foi somente nos últimos anos que as empresas começaram a lançar títulos de valor menor (R$ 1 mil), justamente para tentar incentivar o numero de negócios neste mercado.

Outra aplicação lembrada pelos especialistas e indicada para quem quer diversificar um pouco mais a carteira são os fundos imobiliários. Estes fundos - também negociados na Bolsa por meio de corretoras - aplicam na construção de um ou vários imóveis e depois recebem os alugueis dos bens. "É interessante porque o investidor diversifica a carteira de imóveis com uma quantia menor do que se fosse ele mesmo ter os imóveis", diz Calil. "Além disso, não tem a preocupação com inquilinos e a pessoa física não paga Imposto de Renda no resgate das cotas", afirma.

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