Posco terá 20% de siderúrgica da Vale

Grupo coreano será sócio da mineradora brasileira e da Dongkuk Steel no Ceará

Mônica Ciarelli / RIO, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2010 | 00h00

A Vale anunciou ontem a entrada da coreana Posco no projeto siderúrgico da mineradora no Ceará, que já conta com a participação de outra sócia coreana, a Dongkuk. Prometido desde 2005, o projeto, orçado em US$ 4 bilhões, já passou por reviravoltas que vão desde mudanças de sócios até de tecnologia.

Originalmente, a Vale teria papel minoritário na composição da nova Companhia Siderúrgica de Pecém (CSP). Mas, pelo desenho final anunciado, a mineradora brasileira será a maior acionista, com 50% do capital. A Dongkuk ficou com 30% e a Posco, com 20%.

O presidente da Vale, Roger Agnelli, acredita que a entrada de um novo sócio reforça o interesse dos investidores estrangeiros em projetos no Brasil. "Entendemos que o Brasil é o melhor lugar para se produzir aço. Por isso, temos estimulado parcerias com nossos clientes para aumentar a produção no País", afirmou o executivo.

Ao longo de 2009, a companhia foi alvo de pesadas críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cobrou mais investimentos da Vale nesse setor. O armistício entre Lula e o presidente da mineradora veio empacotado em outubro em um orçamento recorde de US$ 12,9 bilhões para 2010, que incluía o desenvolvimento de todos os quatro projetos siderúrgicos na pauta da empresa.

Para o diretor de siderurgia da Vale, Aristides Corbellini, a entrada de um novo sócio no projeto é estratégica. "Contaremos com a tecnologia e experiência operacional da Posco em usinas siderúrgicas integradas de grande porte", afirmou, em nota divulgada à imprensa.

A Companhia Siderúrgica do Pecém será uma usina integrada voltada para exportação de placas de aço com capacidade para produzir três milhões de toneladas em 2014 - volume que poderá ser dobrado em uma segunda fase. Segundo a Vale, a obra iniciada em dezembro do ano passado está agora em estágio de terraplenagem.

Além de placas de aço, a CSP também produzirá energia elétrica para consumo próprio, sendo que o excedente será vendido no mercado nacional.

Os projetos siderúrgicos da Vale no Brasil vão acrescentar nos próximos anos uma produção de 18,5 milhões de toneladas de aço - isso representa quase a metade da capacidade atual do setor, que produziu em 2009 42,1 milhões de toneladas de aço bruto, segundo levantamento do Instituto Aço Brasil.

Plano estratégico. A Vale tem participação em projetos para a construção de quatro siderúrgicas, que preveem investimentos totais de US$ 21 bilhões. Além da CSP, a mineradora brasileira tem em seu plano estratégico outros três projetos siderúrgicos: a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), no Rio; a Companhia Siderúrgica de Vitória, no Espírito Santo; e a Aços Laminados do Pará (Alpa).

Inicialmente, a usina no Ceará previa subsídio da Petrobrás no fornecimento do gás, que seria usado tanto como energia como no processo de produção do aço. Com a escassez do gás em 2007, a Petrobrás desistiu do projeto, que acabou sendo bastante modificado.

Na época, os controladores da siderúrgica diziam que a indústria só era viável no Ceará caso houvesse o subsídio do gás. Segundo a Vale, a escolha do Estado para o projeto teve como pano de fundo a localização favorável à exportação.

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