Posição credora do Brasil é um passo para grau de investimento

A opinião é do ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Julio Gomes de Almeida

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

21 de fevereiro de 2008 | 12h31

Com a posição credora no mercado internacional adquirida pela primeira vez pelo Brasil - as reservas brasileiras ultrapassam o total da dívida externa do Brasil -, o País fica a um passo do grau de investimento - classificação dada aos países com baixíssimo risco de calote da dívida. A opinião é do ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e atual consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Gomes de Almeida. Veja também: Pela 1ª vez, Brasil tem dinheiro para pagar toda dívida externa Para ele, se a situação externa não apresentar deterioração, é possível que o País receba o grau de investimento ainda este ano. "Esse é o nosso passaporte para o grau de investimento e mostra porque estamos vivendo essa situação de tranqüilidade em meio à forte crise internacional. Se não fosse isso, é muito provável que o Brasil tivesse sofrido com a crise, com riscos para a economia", diz Gomes de Almeida.Com a posição credora, o ex-secretário avalia que o anúncio do grau de investimento - que foi motivo de forte rumor ontem no mercado financeiro na quarta-feira - deve ser acelerado. "As agências de classificação de risco só não nos dão o investiment grade agora porque é preciso cumprir certo ritual para que a classificação seja dada. Nessa crise, o Brasil já está mostrando que é investiment grade", reforça.Para Gomes de Almeida, a situação credora do Brasil contou com a colaboração externa gerada por alguns fatores como o aumento da demanda internacional, principalmente na China, disparada dos preços das commodities e boa liquidez (volume de negócios) no mercado internacional.Para ele, essa situação permitiu que o Brasil acumulasse dólares com os seguidos superávits comerciais e, assim, aumentasse as reservas. Apesar da posição credora, ele afirma que ainda há espaço para que o Brasil continue adquirindo dólares no mercado cambial.  

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