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Posição do Brasil na Alca se fortalece com Kirchner

As recentes declarações do presidente eleito da Argentina, Néstor Kirchner, a favor do Mercosul, e a escolha de Rafael Biesa para ocupar a chancelaria argentina mostram que o Brasil e o bloco ganham cada vez mais destaque na política externa de Buenos Aires, em detrimento das relações com os Estados Unidos. A nova ênfase da Argentina de privilegiar o Mercosul não significa uma pá de cal na Área de Livre Comércio das Américas (Alca), mas é fato que a diplomacia brasileira ganha um forte aliado na defesa de uma negociação mais cautelosa.?A visão americanista que predominou nos anos Menem foi derrotada?, diz Amâncio Jorge de Oliveira, diretor da Prospectiva Consultoria de Assuntos Internacionais e pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais (Nupri), ligado à Universidade de São Paulo.O próprio Bielsa admite que será difícil um entendimento com os Estados Unidos para avançar nas negociações da Alca, pelo menos na forma como está proposta atualmente. A posição do futuro ministro argentino das Relações Exteriores converge com a opinião do governo e do setor privado brasileiro, que consideram nada satisfatórias as propostas iniciais apresentadas pelos Estados Unidos. De acordo com um assessor do futuro chanceler que falou à Agência Estado, ?a Alca, como está sendo colocada, está muito longe dos objetivos do Mercosul". A fonte informou que Bielsa obedecerá, rigorosamente, a orientação de Kirchner de priorizar o fortalecimento do Mercosul e, a partir do bloco, empreender suas negociações comerciais internacionais. "Todas as relações que a Argentina vai encarar serão tratadas no marco do Mercosul", reforça o assessor. E completa: "as ligações com o Brasil e com a região serão muito mais próximas." Para o professor Félix Peña, subsecretário de Comércio Exterior no período Carlos Menem e um dos primeiros negociadores argentinos do Mercosul, a orientação de Lula e de Kirchner não representa, necessariamente, que a Alca esteja cada vez mais longe.Ele acredita que muito dependerá do que ocorrerá nos próximos dias ou semanas, principalmente, com a visita ao Brasil do representante comercial dos Estados Unidos, Robert Zoellick, já que Brasília e Washington co-presidem o processo negociador em sua última fase. Dificuldades desaparecemPara o Brasil, a grande mudança é o fato de que, com o novo governo, a enorme dificuldade que havia nas relações Brasil/Argentina ? a falta de interlocutores e a dificuldade de coordenar posições com os argentinos ? vai desaparecer. ?Agora será possível articularmos melhor nossas posições?, afirma um diplomata brasileiro.Félix Peña acredita que nos próximos meses, Argentina e Brasil terão, finalmente, a oportunidade de afinar o discurso e as propostas sobre o que querem exatamente da Alca, em termos de prazo, formato e conteúdo, e mostrar qual a forma que vão encarar os próximos passos da Alca. ?A partir do fato de que há um acordo sobre a importância do Mercosul, é preciso mostrar como isso se traduz nas negociações com os Estados Unidos e em fatos concretos", diz Peña.Ele diz que, agora, é preciso observar quais propostas formais que a Argentina e o Brasil colocarão na mesa de negociações e se apresentarão formalmente a proposta concreta quatro mais um (um acordo Mercosul ? EUA).

Agencia Estado,

22 de maio de 2003 | 12h53

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