Positivo entra na briga do mercado de tablets

Maior fabricante de microcomputadores do País apresenta seu rival para o iPad, com preço sugerido a partir de R$ 999

RODRIGO PETRY, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2011 | 03h07

A Positivo Informática, maior fabricante de microcomputadores do Brasil, apresentou ontem, finalmente, sua linha de tablets. Chamada Ypy, terá versões de 7 ou 9,7 polegadas, com conexões Wi-Fi ou Wi-Fi e 3G. O Ypy 7 chega ao varejo na segunda quinzena de outubro, com preço sugerido a partir de R$ 999. O Ypy 10, de tela maior, começará a ser vendido antes do Natal.

Assim como os principais concorrentes do iPad, da Apple, o Ypy roda o sistema operacional Android, do Google. O modelo de 7 polegadas usa a versão 2.3.4 e, o de 9,7 polegadas, a 3.2, também conhecida como Honeycomb.

Segundo a empresa, a linha de tablets foi completamente desenvolvida a partir de pesquisas com os brasileiros, desde o hardware e design até o sistema operacional, totalmente adaptado ao português. O teclado virtual, por exemplo, tem as teclas "ponto br" e cedilha.

De acordo com a Positivo, um dos diferenciais do Positivo Ypy é que ele já sai de fábrica com mais de 50 aplicativos pré-instalados. "Estudamos o comportamento do consumidor durante 20 meses para chegar a um produto 100% voltado ao brasileiro", afirmou Hélio Bruck Rotenberg, presidente da Positivo Informática.

Segundo Rotenberg, Ypy significa "primeiro" na língua tupi-guarani. A Semp Toshiba, que é uma empresa brasileira, apesar dos sócios japoneses, lançou seu tablet em maio.

O tablet da Positivo tem porta USB e saída HDMI para que seja ligado à TV de LCD, além de suporte para uso de sites com Adobe Flash.

Argentina. O tablet Ypy também será vendido ainda este ano na Argentina, disse Rotenberg. "Vamos lançar com um pouco de atraso em relação ao Brasil, pelo ecossistema que precisa ser desenvolvido em espanhol", afirmou, referindo-se ao conjunto de softwares, que inclui os aplicativos e o sistema operacional.

Ele afirmou ainda que a empresa atingiu a liderança de vendas de computadores no mercado argentino, salientando que os dados são extraoficiais. Desde o final do ano passado, a Positivo tem uma joint venture com a companhia argentina BGH, que foi a primeira unidade fabril da companhia fora do Brasil.

O executivo evitou dar projeções de vendas dos quatro modelos de tablet lançados. Segundo ele, a empresa está "preparada para competir com os tablets fabricados por empresas estrangeiras". A briga não deve ser fácil. Nos Estados Unidos, a Dell e a HP cancelaram seus tablets, enquanto a RIM, fabricante do BlackBerry, enfrenta dificuldades para tornar seu produto um sucesso.

Em relação aos preços, Rotenberg disse que a variação cambial vai definir os valores dos tablets. "Mesmo após a recente alta do dólar mantivemos um tablet com um preço abaixo dos mil reais", disse, acrescentando ter preocupação "com qual será o patamar de dólar" daqui pra frente. "Como temos margens baixas, se o dólar começar a subir, vamos ter de repassar para os preços."

Segundo ele, a vantagem de já atender o varejo, com a venda de PCs, vai ajudar a que os produtos cheguem facilmente as lojas no Brasil. "Já estamos negociando com as redes varejistas", afirmou.

Investimentos. Rotenberg não revelou os investimentos, mas afirmou que representaram grande parte dos R$ 40 milhões aplicados em pesquisa e desenvolvimento este ano. "Os investimentos foram em produtos, aplicativos, e não em fábricas."

A fabricação inicial será em Curitiba, mas deverá ser expandida a Manaus. "Não queremos ficar com apenas um local de fabricação. Ainda temos incentivos fiscais conforme o produto."

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