DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Posse de Miriam tem protesto contra ‘privatização’ da Caixa

Nova presidente do banco diz que instituição será 'parceira' do Ministério da Fazenda; Levy também discursou e sinalizou que vai cobrar da Caixa participação no ajuste fiscal

Victor Martins,Nivaldo Souza,Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2015 | 18h13

A posse da nova presidente da Caixa Econômica Federal, a ex-ministra do Planejamento, Miriam Belchior, ocorreu nesta segunda-feira. A cerimônia foi  marcada por manifestação de funcionários contra afirmações do governo federal sobre uma eventual abertura de capital do banco estatal. Com gritos como "Não à privatização; da Caixa eu não abro mão", funcionários carregavam cartazes com dizeres como "Caixa 100% pública" e "Eu defendo a Caixa".

Em seu discurso, Miriam disse que a instituição é o principal agente de implementação de políticas do governo e que será parceira dos Ministérios da Fazenda e do Planejamento, deixando a entender que contribuirá para o programa de ajuste fiscal. “A Caixa deve estar comprometida com a nova etapa de mudança no País”, disse.

Segundo ela, a instituição terá papel fundamental na recuperação da economia, combinando investimento público e crédito de longo prazo para grandes projetos. Entre esses projetos, disse, merecem destaque infraestrutura e transporte.

Presente à cerimônia, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fez questão de frisar que, apesar de instrumento de políticas públicas, a Caixa é um banco e deve seguir indicadores de desempenho. Também deixou claro que o ajuste fiscal vai pesar sobre a instituição. “A gente vai estar sempre atento para que a Caixa tenha aquela solidez que todos queremos que ela tenha, cada vez mais para continuar (por mais) 150 anos”, afirmou.

A Caixa, desde o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem financiado uma série de programas com crédito subsidiado - taxas de juros abaixo da inflação ou da taxa de captação. O custo dessas operações, sobretudo nos últimos quatro anos, onerou os cofres do Tesouro Nacional, que, em última instância, arcou com esse diferencial de juros. Levy chegou à Fazenda para corrigir os excessos e a Caixa está na mira do ministro.

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