Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Possível oferta de rivais faz ações da TIM disparar

Embora tenha contratado o BTG para propor fatiamento da TIM com Telefônica e Claro, Oi não descarta fusão com a operadora

MARIANA SALLOWICZ, MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

11 Dezembro 2014 | 02h05

As ações da TIM Brasil dispararam ontem na Bovespa, com valorização de 11,30%. A forte alta ocorreu após a agência Bloomberg informar que as concorrentes Oi, Telefônica (controladora da Vivo) e América Móvil, dona da Claro, preparam uma oferta de US$ 15 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões) pela operadora.

O presidente da TIM Brasil, Rodrigo Abreu, afirmou ontem, antes da divulgação da notícia, que a companhia está fazendo análises "para entender se eventualmente uma oportunidade (de negócio com a Oi) fará sentido ou não". O conselho de administração da Telecom Itália, controladora da empresa, aprovou em novembro um "exame em profundidade" das opções para uma possível fusão com operadora brasileira.

A medida foi tomada após a Oi ter contratado o BTG Pactual, em agosto, para desenvolver propostas para aquisição da TIM. O Estado apurou que a Oi não descarta, contudo, uma fusão com a TIM, caso os controladores da companhia italiana não aceitem a proposta de fatiamento. "A contratação do BTG, como comissário mercantil, tem o propósito de formalizar junto com a Telefônica e Claro uma proposta pelo fatiamento da TIM", disse uma fonte próxima das negociações. A fonte afirma, contudo, que não há um valor fechado para o negócio. "Faremos parte do movimento de consolidação", dando a entender que a Oi poderá se fundir com a TIM, caso os acionistas achem que é a melhor proposta.

Abreu afirmou que a TIM tem "não só saúde, como capacidade de permanência (no mercado)". Fontes afirmaram ao Estado que a TIM Brasil já está informalmente avaliando os ativos da Oi, mas ainda não há um movimento real de fazer uma oferta pelo negócio.

Em relação à Oi, Abreu afirmou que "problemas colocados à parte, há oportunidades muito interessantes de ganhos de sinergias". "Essa é a lógica de qualquer tipo de fusão, você ter sinergias que ultrapassam o custo de aquisição", disse.

A Oi encerrou o terceiro trimestre com dívida líquida de cerca de R$ 48 bilhões. "Quando você passa por uma situação que a empresa (Oi) tem hoje, a questão é entender onde estão todos os indicadores financeiros, estrutura de dívida, de contingência, de passivo, (dados) que não são conhecidos em detalhes no mercado." Abreu acrescentou que alguns dados operacionais das companhias são privados.

A próxima reunião do conselho será no dia 18, mas Abreu acredita que não haverá novidades até a data. Procuradas, Oi, Claro, Vivo e TIM não comentam o assunto.

Proposta. O Estado apurou que a Oi está na expectativa de poder participar nos próximos dias do processo de consolidação no mercado brasileiro de telecomunicação. Segundo fontes próximas à companhia, uma proposta de fatiamento da TIM, em conjunto com Vivo e Claro, poderá ser formalizada até o fim do ano, mas esse prazo está apertado e pode ser prorrogado. "Não houve tempo de sentar com as operadoras. A Telefônica está envolvida na compra da GVT", disse uma fonte a par do assunto.

As fontes disseram que os valores da proposta pela TIM ainda não foram fechados, mas devem ser sobre o valor de mercado da empresa, que hoje é de cerca de R$ 31 bilhões, sujeito a pagamento de prêmio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.