Possível racionamento afetará só grande empresa, diz Aneel

Segundo a agência, problema ficará restrito aos 600 grandes consumidores que migraram para o mercado livre

Alaor Barbosa, da Agência Estado,

05 de outubro de 2007 | 16h12

O diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, admitiu em palestra na Câmara de Comércio França-Brasil que o País poderá ter racionamento de energia elétrica nos próximos anos. Se isso vier a acontecer, porém, será diferente do registrado em 2001, quando houve corte de energia para todo tipo de consumidor.   Na eventualidade de vir a faltar, Kelman prevê que o problema ficará restrito aos cerca de 600 grandes consumidores que migraram para o mercado livre. "Espero que o País não venha a precisar fazer corte de energia como observado em 2001. Mas, se for necessário, ficará restrito aos consumidores livres", afirmou.   Segundo ele, embora o universo se restrinja a apenas 600 grupos empresariais, os consumidores livres já respondem por quase 30% do consumo total de energia elétrica no País. Na sua palestra, o diretor-geral da Aneel destacou a questão do gás natural na matriz energética e disse que "o assunto está sendo resolvido".   Ele lembrou que a entidade entrou em conflito com a Petrobras e constatou que não havia gás suficiente para as usinas térmicas movidas a gás natural. "Olhando para trás, vejo que a nossa posição de exigir que o fornecedor (a Petrobras) garantisse o gás para as térmicas estava certa. O gás está aparecendo. Para nós, de nada adianta um carro sem combustível. Agora, apareceu combustível para o carro, o que dá mais garantia para o setor elétrico", comparou.   Em entrevista logo após o evento, Kelman acentuou que a prioridade da agência reguladora é garantir que o leilão da usina Santo Antônio no Rio Madeira (RO) seja o mais competitivo possível. "A nossa ênfase é que haja competição", ressaltou. Quanto aos acordos que as empresas do grupo Eletrobrás estão fazendo com empresas privadas, Kelman defendeu que a estatal divulgue as condições em que pretende disputar o leilão do Rio Madeira.   "É fundamental que o dote das quatro 'noivas' (Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul) seja do mesmo tamanho", disse. Ele lembrou, porém, que a formatação do leilão é responsabilidade do governo federal, cabendo à Aneel apenas a publicação das normas finais seguindo as diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME).

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