Possível redução de alíquota de importação preocupa Argentina

Empresários e negociadores argentinos não gostaram da notícia de que o Ministério de Fazenda brasileiro estaria disposto a reduzir de 35% para 10,5% a alíquota consolidada para a importação de bens industriais. Eles manifestaram "surpresa" e "preocupação" com a possível decisão do Brasil de radicalizar a abertura de seus mercados industriais, já que a mesma implicaria em abandonar a postura conjunta que vinha mantendo com a Argentina. Os negociadores argentinos temem que o Brasil abandone, nas negociações de Doha, a posição inicialmente defendida em conjunto com a Argentina, Índia e demais países reunidos no chamado G-20, pela manutenção das alíquotas de importação nos níveis atuais. O bloco enfrenta a oposição dos Estados Unidos e da União Européia, que defendem uma drástica redução das alíquotas. Um dos negociadores técnicos da chancelaria argentina, Felipe Frydman, disse à agência de notícias Telam, que seria necessário avaliar o alcance do documento com a proposta brasileira. Embora acredite que o documento seja interno, Frydman afirmou que "nos surpreende o vazamento agora, quando faltam três meses para a reunião de Hong Kong, porque seria presentear a negociação à União Européia e aos Estados Unidos". O técnico recordou que nas negociações no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC), havia um consenso, entre a Argentina e o Brasil, de que "os coeficientes industriais seriam colocados conjuntamente com outros, como os agrícolas". Por isso, ele acredita que "seria prematuro dizer que se está disposto a aceitar um corte muito profundo quando não se sabe o que é que se poderia obter com os produtos agropecuários". Ele disse ainda que nos últimos contatos mantidos com os negociadores brasileiros não havia nenhuma variação na posição conjunta. Nesse sentido, Frydman acredita que "uma mudança de postura nesse momento debilitaria a posição negociadora do G-20".

Agencia Estado,

07 Setembro 2005 | 12h40

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