Possível redução de superávit não agrada estrangeiros

Os sinais de que o governo pretende reduzir a meta de superávit primário de 4,25% para 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB), destinando a diferença para investimentos em infra-estrutura, continuam sendo mal recebidos pelos analistas do mercado.O economista chefe para a América Latina do ABN Amro e ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman, observou que uma redução da meta não impediria que a relação entre a dívida e o PIB continue declinando em 2007. "Nossos exercícios de simulação com as combinações mais prováveis de crescimento do PIB e custos da dívida, sugerem que superávits primários entre 2% e 2,5% são suficientes para manter a relação entre a dívida e o PIB constante", disse. "Portanto, uma redução da meta para 3,75% ainda pode resultar numa queda da relação entre a dívida e o PIB."Mas apesar disso, segundo Schwartsman, há razões para se acreditar que os impactos da expansão fiscal sobre o PIB são negativos. "Ainda se considerarmos que as decisões já tomadas pelo governo podem facilmente aumentar o gasto federal em até cerca de 0,5% do PIB, mesmo sem nenhum investimento adicional", afirmou. Ele afirmou que um maior impulso fiscal estimula a demanda agregada num horizonte de até quatro meses, enquanto limita o potencial de crescimento do PIB. "Por isso, a conclusão é que a expansão fiscal reduz o espaço para o Banco Central cortar os juros", disse.Nuno Camara, economista sênior do Dresdner Kleinwort, disse que o problema neste momento não é necessariamente a carência de fundos, mas o fato "de que o governo gasta demais e gasta isso mal". Segundo o analista, embora as regras permitam uma queda do superávit primário, "no final o fato é que isso representa um aumento no gasto do governo".Na avaliação de Camara, para aumentar os investimentos em infra-estrutura e projetos sociais, o governo precisa cortar seus gastos correntes "Por isso, é desnecessário dizer que se declínio no superávit primário se materializar, as atuais preocupações com a performance fiscal serão reforçadas", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.