Possível subsídio à Bombardier preocupa Embraer

A Embraer está atenta a um possível subsídio bilionário que estaria sendo negociado entre o governo do Canadá e a fabricante de aviões Bombardier. A informação é do presidente da fabricante brasileira de jatos, Maurício Botelho. Segundo ele, o governo canadense estaria analisando a possibilidade de conceder apoio financeiro de US$ 1 bilhão para a empresa desenvolver uma nova família de aeronaves, capaz de transportar entre 110 e 130 passageiros. A implementação do programa exigiria US$ 2 bilhões no total. A negociação veio à tona no momento em que os governos brasileiro e canadense finalizam um acordo para dar maior transparência aos financiamentos concedidos às empresas fabricantes de aviões. Nesta semana, o primeiro-ministro do Canadá, Paul Martin, esteve no Brasil e declarou que as negociações entre os dois países estão caminhando para um desfecho, informação confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro. "Fico satisfeito de ver que as coisas estão prosperando. A nossa intenção é ter um regime de livre comércio e que as decisões dos clientes (compradores de aviões) sejam focadas em preço, qualidade e desempenho do produto, e não em subsídios dados para os órgãos financiadores", afirmou Botelho, homenageado ontem pela Câmara de Comércio França-Brasil do Rio, ao ser eleito personalidade do ano. Apesar de notícias veiculadas na imprensa canadense, o executivo ressaltou não haver ainda confirmação oficial sobre o subsídio. Botelho também informou que o governo brasileiro, especialmente o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, vem acompanhando a negociação entre o governo do Canadá e a Bombardier. Ele enfatizou que espera que as negociações entre Canadá e Brasil resultem em regras transparentes para o apoio financeiro aos fabricantes de aviões. Nesta semana, a Embraer divulgou suas perspectivas de entrega de aeronaves nos próximos dois anos. Segundo a empresa, de 2004 a 2006 serão vendidos 145 jatos por ano. A estimativa alertou analistas de mercado que previam desempenho superior. Mesmo assim, o presidente da Embraer está confiante nos resultados da empresa. "A empresa vai bem, está num processo de crescimento. Mas é claro que o mercado está passando por dificuldades grandes. Mas, neste cenário, nós estamos mantendo lucratividade, crescimento e visão de futuro."

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