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Posto para fornecer GNV é inaugurado em Brasília

Isso acontece um dia depois de o governo ter desaconselhado os motoristas a fazer novas conversões

Leonardo Goy, da Agência Estado,

08 de novembro de 2007 | 19h55

Um dia depois de o governo ter desaconselhado os motoristas a fazer novas conversões dos carros para Gás Natural Veicular (GNV), foi inaugurado nesta quinta-feira em Brasília o primeiro posto que vai oferecer GNV à clientela da capital federal. O projeto já vem sendo esboçado há algum tempo, mas seus idealizadores não parecem ter muita sorte com datas. No ano passado, a iniciativa foi adiada logo depois que o presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou a nacionalização das reservas de gás do país. Veja também:Entenda a crise dos combustíveis e o corte de gás Histórico da criseO mercado de gás no Brasil    O diretor da rede que administra o posto, Antonio Matias, disse que não acredita que faltará GNV para os brasilienses. "Não vai faltar gás. O presidente e o governador José Roberto Arruda (DF) têm feito muita força para o GNV chegar aqui", disse. O governador participou da inauguração do posto. O presidente da Companhia Brasiliense de Gás (CEBgás), o ex-ministro de Minas e Energia José Jorge, também disse não ver risco de falta do combustível, apesar de fazer pouco mais de uma semana que a Petrobras cortou parte do fornecimento de gás ao Rio de Janeiro e São Paulo,  "Estamos tranqüilos. Temos um contrato com a Petrobras e ele vai ter de ser cumprido. Além disso, o volume de gás que contratamos é pequeno. A crise afeta mais onde o consumo é maior", disse ele. Segundo o ex-ministro, inicialmente a CEBGás vai comprar 45 mil metros cúbicos de gás por dia, o que garante o abastecimento de uma frota de 15 mil veículos. No Rio de Janeiro, a CEG vende 2,9 milhões de metros cúbicos diários de GNV, para um frota de 550 mil carros. A distribuidora do Distrito Federal firmou contrato de compra do combustível com a GasLocal, sociedade formada pela Petrobrás e a White Martins que processa Gás natural Liquefeito (GNL) em Paulínia, interior de São Paulo. Uma vez liquefeito, o combustível é transportado até Brasília por caminhões. Essa logística, necessária porque não há gasodutos na região da capital, encarece um pouco o produto. No posto que foi inaugurado ontem, o metro cúbico do GNV vai custar R$ 1,79. No Rio, sai por R$ 1,35, segundo a CEG. Entenda a crise do gás A crise do gás começou no dia 1º de maio de 2006. Neste dia, o presidente boliviano assinou um decreto de nacionalização de todos os hidrocarbonetos (entre eles, o gás). Com isso, a Petrobras foi ocupada por militares e funcionários da estatal boliviana, Yacimientos Petrolíferos Fiscales de Bolívia (YPFB). O governo brasileiro não conseguiu chegar a um acordo com a Bolívia e, em maio de 2007, doze meses depois, decidiu vender 100% de suas refinarias no país. A proposta brasileira para a venda estava em US$ 120 milhões e o presidente boliviano Evo Morales ofertou US$ 112 milhões pelas instalações da Petrobras no país. O presidente Lula determinou, então, que o negócio fosse fechado. O Brasil importa da Bolívia 25 milhões de metros cúbicos de gás diariamente. São Paulo recebe mais da metade deste volume, sendo que mais de 80% é direcionado para as térmicas e para a indústria. Na matriz energética do País, o gás representa quase 10% do total. No mais recente capítulo desta crise, foi determinada uma restrição de consumo em São Paulo e no Rio de Janeiro pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O baixo nível dos reservatórios elevou os preços da energia hidráulica. Como o critério que determina a geração elétrica é o preço, o valor do megawatt/hora gerado pelas termelétricas ficou mais baixo, o que tornou estas usinas prioritárias. Como a Petrobras é obrigada a fornecer o gás para a geração térmica, segundo um termo assinado com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), parte do volume de gás teve de ser desviado de um mercado para outro. Com o início do período de chuva, a tendência é que a geração hidráulica volte a ser mais competitiva do que a produção de energia em termelétricas a gás. O gás deverá, então, fluir para os consumidores tradicionais.

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