JOSE PATRICIO/ESTADÃO
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Postos de trabalho na indústria recuam 6,2% em 2015, pior resultado em 14 anos

Redução foi a maior registrada pela série histórica iniciada em 2002; a partir deste ano, pesquisa será substituída

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

18 Fevereiro 2016 | 09h42

RIO - O emprego na indústria recuou 0,6% na passagem de novembro para dezembro de 2015, na série livre de influências sazonais, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa a 12ª taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação, período em que acumulou uma perda de 7,8%. 

A indústria automobilística foi a principal responsável pelo tombo no emprego industrial em 2015. O número de vagas na atividade de meios de transporte encolheu 11,4%. A atividade tem um peso de cerca de 8% sobre o cálculo da população ocupada na indústria, atrás apenas do segmento de produtos alimentícios. Embora todos os 18 setores investigados tenham demitido trabalhadores no ano passado, o corte de vagas em meios de transporte foi a principal pressão sobre o resultado geral do emprego industrial no País.

"(Meios de transporte) É o setor que mais se destaca em qualquer uma dessas comparações: pessoal ocupado, números de horas pagas aos trabalhadores e valor da folha real de pagamento. Na produção industrial, essa atividade é sempre também a mais destacada em termos negativos", apontou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

Na comparação com dezembro de 2014, o emprego industrial apontou uma queda de 7,9% em dezembro do ano passado, 51º resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto e o mais intenso registrado pela pesquisa. Como resultado, os postos de trabalho na indústria recuaram 6,2% em 2015, redução mais elevada da série histórica iniciada em 2002.

Horas de trabalho. O número de horas pagas aos trabalhadores da indústria registrou recuo de 6,7% em 2015, a redução mais elevada da série histórica do IBGE. Todos os 18 setores pesquisados apontaram redução nas horas pagas no ano, com destaque para os impactos negativos de meios de transporte (-12,4%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-13,5%), produtos de metal (-11,0%), máquinas e equipamentos (-8,6%), alimentos e bebidas (-2,4%), outros produtos da indústria de transformação (-10,5%), borracha e plástico (-7,1%), vestuário (-6,1%), calçados e couro (-8,5%), minerais não-metálicos (-5,9%), metalurgia básica (-9,5%), produtos têxteis (-5,3%), papel e gráfica (-4,4%), refino de petróleo e produção de álcool (-7,3%), indústrias extrativas (-4,5%) e madeira (-6,0%).

Além de reduzir o número de horas pagas, o segmento de meios de transporte diminuiu o valor da folha de pagamento real em 13,4%. "A indústria automobilística veio ao longo de 2015 com reduções de jornada de trabalhadores, cortes de postos de trabalho, regime de layoff e estoques elevados", lembrou Macedo.

Na passagem de novembro para dezembro de 2015, o número de horas pagas teve ligeira queda de 0,1%, décima taxa negativa consecutiva, período em que acumulou uma perda de 7,4%.

Na comparação com dezembro de 2014, o número de horas pagas aos trabalhadores teve redução de 7,4% em dezembro de 2015, a 31ª taxa negativa consecutiva neste tipo de confronto, também com perdas em todos os 18 ramos pesquisados. As principais influências negativas foram de meios de transporte (-14,1%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-17,2%), máquinas e equipamentos (-9,4%), borracha e plástico (-11,9%), produtos de metal (-10,4%), vestuário (-9,0%), outros produtos da indústria de transformação (-12,3%), minerais não-metálicos (-9,1%), produtos têxteis (-8,5%), calçados e couro (-6,7%), alimentos e bebidas (-1,3%), metalurgia básica (-8,7%), papel e gráfica (-3,4%), madeira (-7,5%) e indústrias extrativas (-5,3%).

Substituição. Esta foi a última divulgação dos dados da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (PIMES). A pesquisa deixa de existir, assim como ocorrerá em breve com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), porque será substituída pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). 

Em nota, o instituto afirmou que "os progressivos ganhos de qualidade na base de dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho) e a implantação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, que tem cobertura nacional e produz um conjunto amplo de informações sobre o comportamento de curto prazo do mercado de trabalho com informações divulgadas mensalmente para Brasil e trimestralmente para todas as Unidades da Federação, reduziram de forma muito substantiva a relevância das informações obtidas a partir da PIMES e levaram o IBGE à decisão de sua interrupção".

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