Postos de trabalho serão recuperados em 2009, diz Lula

Presidente reagiu com otimismo à notícia de que 40 mil empregos foram eliminados em novembro

Daniele Carvalho, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu com otimismo a notícia de que o País perdeu 40 mil postos de trabalho em novembro, conforme dados divulgados na segunda-feira pelo Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Ele afirmou, no Rio, que as causas da queda estão sendo combatidas e parte das vagas poderá ser recuperada no ano que vem. À tarde, já em São Paulo, Lula voltou a se queixar das tentativas de se criar um clima de "pânico" no País por conta da crise global. "Li hoje uma manchete no jornal: 40 mil pessoas perderam o emprego no mês de novembro. Agora, quando nós criamos este ano, do dia 1.º de janeiro ao dia 1.º de outubro, 2,2 milhões de empregos, esse jornal não deu nem notícia."Lula atribuiu o corte de empregos formais à escassez de crédito internacional. De acordo com ele, cerca de 30% do crédito utilizado no País era captado no mercado internacional, montante que fez falta às empresas brasileiras e levou o governo a tomar medidas como a redução do compulsório."Nós tomamos todas as medidas que tínhamos que tomar e vamos tomar todas que forem necessárias", disse Lula, referindo-se às medidas de apoio ao setor automotivo e agrícola. "Obviamente que, na hora que falta crédito para uma pessoa comprar e faltar dinheiro para a empresa tocar seus negócios, alguma coisa pode acontecer. Se foi isso que causou essa perda de 40 mil empregos, estou certo de que nós iremos recuperar alguns deles no ano que vem. É isso que está garantido na política de desenvolvimento do governo e é isso que está presente nos programas que iremos anunciar no próximo ano", disse Lula, que participou, ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy, da 2ª Cúpula Brasil - União Européia. O presidente Lula argumentou que, de janeiro de 2007 a outubro de 2008, o mercado de trabalho brasileiro ganhou 4 milhões de postos. Segundo ele, nos de janeiro a outubro foram criados 2,2 milhões de empregos com carteira assinada. Os dados do Caged mostram, contudo, que a queda registrada em novembro é a primeira em 6 anos. "Quando a crise econômica eclodiu, principalmente após a quebra do sistema financeiro americano, o Brasil talvez tenha sido o País do mundo que mais rapidamente tomou medidas para evitar que a crise chegasse à economia real." Ainda entre as iniciativas contra a crise, o presidente Lula voltou a afirmar que tem feito campanha para "afastar o pânico da sociedade", incentivando o consumo. "Tenho dito aos brasileiros que, se tiverem que comprar, comprem. Se não comprarem,vão perder os seus empregos."

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