Postos pedem investigação sobre aumento do álcool

Dizendo-se surpreendidos com o aumento repassado pelas distribuidoras, os donos de postos de combustíveis enviaram hoje documento a diversos órgãos do governo e também ao Ministério Público pedindo a abertura de investigação para apurar os motivos que levaram ao aumento de até 27% nos preços do álcool combustível.O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Paiva Gouveia, evita usar a palavra cartel, mas afirma que houve igualdade no comportamento das distribuidoras. "Todas aumentaram os preços no mesmo dia e em índices de reajuste parecidos.No mínimo, isso precisa ser explicado", disse Gouveia. A exemplo dos postos, as distribuidoras se defendem dizendo que não têm responsabilidade nos aumentos do preço do combustível. De acordo com o diretor do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) Alísio Vaz, os produtores elevaram os preços em torno de 25% na primeira quinzena de janeiro.O motivo alegado pelos usineiros, segundo ele, foi o desequilíbrio entre oferta e demanda."Como as empresas do setor tinham estoques, elas repassaram o aumento de custos somente agora." Os usineiros admitem que o setor aumentou os preços, mas em índices inferiores aos mencionados pelo representante dos distribuidores.Segundo a União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Unica), o preço do álcool na produção subiu de R$ 0,73, na última semana de dezembro, para R$ 0,85, na semana passada, o que correspondeu a uma alta de 16,4%. O presidente do Sindicato da Indústria da Fabricação do Açúcar e do Álcool do Estado do Mato Grosso do Sul, José Pessoa de Queiroz Bisneto, afirmou que, na reunião de quinta-feira com o governo, os produtores deverão se comprometer em manter o preço do álcool no nível de 60% do valor da gasolina.São vários os argumentos dos produtores para justificar esse aumento. Uma delas é que a produção da última safra ficou abaixo do previsto. Segundo Bisneto, a previsão de safra no Centro-Sul era de 310 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, mas a colheita foi de 268 milhões de toneladas. Os produtores argumentam ainda que a demanda por álcool combustível teve aumento de 100 milhões de litros mensais no ano passado, principalmente por causa do chamado "rabo-de-galo", mistura de álcool na gasolina além do permitido pelo governo, pelo próprio consumidor.

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