Postos vão manter preços dos combustíveis

A iniciativa do governo de limitar o ganho das revendedoras a R$ 0,15 por litro de combustível vendido não terá qualquer efeito prático sobre o preço dos combustíveis, garantem proprietários de postos de São Paulo, que ontem mantiveram os valores cobrados nas bombas. Para eles, o valor definido pelo governo está muito acima da margem de lucro média para o setor. Os comerciantes garantiram que não chegam a ganhar R$ 0,15 por litro e, no caso de chegarem a esse patamar, o preço do combustível irá aumentar. O primeiro dia do acordo entre governo e distribuidoras não surtiu o efeito desejado. Entre os 10 postos pesquisados, não houve nenhum que tenha baixado os preços."Meu lucro não vai além de R$ 0,11 por litro", afirmou o proprietário de um postos de bandeira BR, na Zona Sul da capital, que tem seus preços entre R$ 0,99 o álcool e 1,459 a gasolina. O proprietário do Shell Rio Grande Alto Posto disse que seu lucro é de R$ 0,11. "Geralmente eu lucro R$ 0,08 no álcool e R$ 0,14 na gasolina. Nunca chegou no limite estipulado pelo governo de R$ 0,15%", afirmou o proprietário, que preferiu não se identificar. Já os donos de dois postos que confirmaram obter lucro maior ou igual a R$ 0,15, disseram não ser possível reduzir suas margens de lucros, uma vez que há vários custos, como por exemplo, os 3% sobre as vendas para as administradoras de cartões de crédito.Federação negou acordoA Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) negou em nota oficial, que tenha firmado um acordo para que os postos de revenda limitem a margem de lucro a R$ 0,15 por litro de combustível. A nota afirmava também que isso configuraria a prática de cartel e que essa não é a função de uma entidade sindical.A diretoria da Agência Nacional de Petróleo (ANP) disse que na próxima semana deverá iniciar a fiscalização dos preços nos postos de gasolina. A ANP tem hoje 64 fiscais para todo o País, mas o ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, já admitiu que o governo não tem como punir o revendedor ou a distribuidora que descumprir o acordo.

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