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Postura defensiva de produtores de soja frustra exportadores

Sojicultores de PR, RS e MS retêm 10% restante da safra 2008/2009 à espera de preços mais altos

Gerson Freitas Jr., da Agência Estado,

21 de agosto de 2009 | 14h33

Os exportadores de soja estão frustrados com os produtores brasileiros, que retêm o que sobrou de suas safras à espera de preços mais altos. "Temos destinos que gostariam de receber soja, mas não conseguimos comprar volumes neste momento", contou um executivo de uma grande trading dos Estados Unidos.

 

Os sojicultores já negociaram cerca de 90% da safra 2008/09, estimada em 57,1 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

 

Alguns Estados, como Paraná e Rio Grande do Sul, possuem estoques maiores porque colheram a safra mais tarde. Mas o Mato Grosso, maior produtor nacional, e outros Estados do Centro-Oeste, têm pouca soja para negociar.

 

Fontes da indústria dizem que os produtores não têm pressa para vender e esperam os preços da commodity subir. Trata-se de uma postura corriqueira durante a entressafra, quando a maioria dos exportadores tende a buscar soja no Hemisfério Norte.

 

Um trader disse que os volume de negócios pode crescer se os produtores, descapitalizados, precisarem de dinheiro para financiar o plantio da próxima safra. Em algumas regiões do Mato Grosso, o cultivo começa já em setembro.

 

As vendas também podem crescer se os produtores se convencerem de que uma safra recorde nos Estados Unidos pode pressionar as cotações.

 

O analista da grãos da Cerealpar, Steve Cachia, lembrou que a produção menor de Brasil e Argentina na última safra provocou um aperto maior do que o normal nesta época do ano. "Cerca de 10% da safra ainda não foi negociada, mas os estoques podem acabar nas próximas semanas", alertou.

 

Cachia ponderou que os compradores ainda não adotaram uma postura de negociação mais agressiva. "Parece que exportadores e esmagadores locais possuem bons estoques e pretendem usá-los até que a nova safra americana esteja disponível", afirmou. As informações são da Dow Jones.

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