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Potencial do Centro-Oeste esbarra na infra-estrutura

A região Centro-Oeste está diante da possibilidade de aproveitar uma nova onda de desenvolvimento, com a oportunidade de se fortalecer não apenas no agronegócio, mas também em segmentos como bens industrializados, serviços, bioindústria e turismo. Mas o grau com que este avanço ocorrerá ainda depende da capacidade da região de superar um de seus principais problemas: a escassez de infra-estrutura. Esta foi uma das principais conclusões da edição de hoje da série de seminários "Novo Mapa do Brasil", projeto desenvolvido pelo Grupo Estado para avaliar o potencial de desenvolvimento de cada região do País.Apesar de ter superado a imagem de um lugar esquecido no meio do Brasil, marcado pelo forte contraste com vizinhos como Sudeste e Sul, a região Centro-Oeste ainda está longe de ter explorado todo o seu potencial. Mas, para isso, seria preciso oferecer alguns meios indispensáveis ao desenvolvimento, como um sistema de transporte eficiente e energia elétrica para abastecer as atividades locais. "A infra-estrutura da região Centro-Oeste melhorou muito, mas ainda é incapaz de acompanhar a evolução da demanda", afirmou o diretor da Secretaria de Desenvolvimento do Centro-Oeste, Frederico Valente, que é ligada ao Ministério da Integração Nacional e integrou o corpo de palestrantes do evento.Ele lembrou que, em decorrência da falta de rodovias, ferrovias e hidrovias suficientes para atender a atividade local, algumas regiões do Centro-Oeste ostentam os maiores custos de transporte do País. A insuficiência do fornecimento de energia elétrica agrava ainda mais este cenário. A lista inclui ainda problemas na área de saneamento básico, além da necessidade de um adensamento das cadeias e de diversificação da estrutura produtiva. "Investimentos nessas áreas poderiam ampliar significativamente a competitividade da região", disse Valente.De acordo com o diretor, a correção dessas deficiências também permitiria dinamizar o mercado interno do Centro-Oeste, criando uma nova demanda a ser suprida por empresas que eventualmente venham a se instalar na região. Além disso, completaria a estrutura necessária para aproveitar melhor o elevado potencial turístico, em especial em áreas ligadas à ecologia. Ainda no que se refere ao ecossistema da região, Valente destaca que há um potencial elevado e ainda inexplorado na área bioindustrial, aproveitando os vastos recursos naturais para atrair grupos das áreas de medicamentos, por exemplo. Isso sem contar a possibilidade de agregar valor aos commodities, reduzindo a vulnerabilidade em relação ao mercado internacional e gerando novos negócios no segmento de bens industrializados.EstratégiaValente ressaltou que a sua secretaria já deu início a uma estratégia para tentar amenizar os problemas. De acordo com ele, foi iniciada a elaboração de um Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável do Centro-Oeste, que deverá ficar pronto em abril do ano que vem. A iniciativa contará com a contribuição de empresários e formadores de opinião da região.Mas mesmo com todos os problemas, experiências de grandes empresas servem de prova de que é possível assegurar o sucesso de um negócio no Centro-Oeste. A Perdigão, por exemplo, chegou à região no final da década de 90, com a instalação sua fábrica em Rio Verde (GO). Inicialmente, a idéia era criar uma operação com cerca de 3.500 funcionários, mas o resultado positivo permitiu que o negócio crescesse ao ponto de empregar diretamente 6 mil pessoas. O presidente da companhia, Nildemar Secches, lembra que na época não havia sequer ruas asfaltadas no local. "Eu cheguei a pedir que fotografassem aquilo pois queria ver o que aconteceria dez anos depois", brincou o executivo, que também participou do evento.Hoje o faturamento da fábrica de Rio Verde é de R$ 1 bilhão, com exportações superiores a R$ 200 milhões. Mas Secches reconheceu que nem todas as empresas que se arriscaram em uma estratégia semelhante obtiveram o mesmo sucesso. "Tivemos de compreender que as características daquela região eram completamente diferentes e que, por isso, precisávamos de um projeto diferente." Ele lembrou, por exemplo, que as altas temperaturas obrigaram a empresa a implantar um sistema de controle térmico em sua estrutura de integração de aves.De qualquer forma, o resultado levou a companhia a estender seus negócios no Centro-Oeste. Hoje, a Perdigão também possui unidades em operação ou em construção nas cidades de Mineiros (GO), Jataí (GO) e Nova Mutum (MS). "Estamos muito satisfeitos com as soluções que encontramos para o Centro Oeste e vamos continuar investindo lá", disse Secches. A expectativa, segundo o executivo, é de que a empresa gere algo em torno de 12 mil empregos diretos na região ao longo dos próximos três anos.Escolha lógicaOutra companhia que encontrou no Centro-Oeste a oportunidade de expandir seus negócios foi a Kepler Weber, que escolheu a cidade de Campo Grande (MS) para instalar em 2004 uma fábrica de sistemas de armazenagem de grãos. A iniciativa, que absorveu um investimento de mais de R$ 100 milhões, se justifica pela força do agronegócio na região e pelas perspectivas de criação do Corredor do Pacífico. O presidente da companhia, Othon DEça ressaltou que, na época em que a companhia planejava a instalação da nova fábrica, o Centro-Oeste surgiu como a escolha lógica para receber o investimento. "Ao observarmos o potencial daquela região vimos que a decisão não poderia ser outra."DEça acrescentou que uma das principais características do projeto é o elevado grau de modernidade e automatização da nova fábrica. Já que a empresa se comprometeu a aproveitar a mão-de-obra local, funcionários ganharam a oportunidade de receber treinamento avançado e capacitação. "Hoje, eu tenho o prazer de ver gente de Campo Grande operando nossas máquinas a laser", afirmou o executivo, lembrando que a fábrica emprega atualmente 600 funcionários diretos e gerou mais de 3.000 empregos indiretos.Para estimular empresas que pensem em seguir o mesmo caminho, a região Centro Oeste também oferece como diferencial linhas de financiamento específicas, que foram aproveitadas tanto pela Perdigão quanto pela Kepler Weber. Por exemplo, o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), administrado pelo Banco do Brasil, liberou R$ 4,6 bilhões entre os anos de 2001 e 2004, para projetos ligados às áreas agropecuária, mineral, industrial, comercial, de serviços, agroindustrial e turística. Além disso, a região também consta entre as prioridades do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ao lado das regiões Norte e Nordeste. "O banco tem condições de apoiar um Estado com um financiamento bem amplo, que vai desde a matéria-prima até a industrialização desta matéria-prima", explicou o chefe da área agroindustrial do BNDES, Jaldir Freire.

Agencia Estado,

06 de dezembro de 2005 | 14h23

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