Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Poucas empresas bancam custo extra com internet e luz

Pesquisa mostra que só 29% das companhias oferecem ajuda para gastos com internet; 13% financiam conta de luz

André Jankavski, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2021 | 05h00

Com a alta aprovação do home office, diversas empresas já definiram que o modelo continuará firme mesmo no período pós-pandemia. Algumas nasceram, inclusive, com esse propósito. A startup de tecnologia Labsit foi fundada em 2018 com a ideia de os funcionários sempre trabalharem de casa. Como optou pelo modelo remoto desde o início, a empresa também colocou a mão no bolso para atrair e dar suporte para os funcionários. Além de todos os benefícios habituais, como vale-refeição, GymPass e auxílio em viagens, a empresa paga um porcentual de 30% do salário como ajuda de custo para contas como internet e luz. “Sempre foi um benefício muito bem aceito para reter talentos”, afirma Rodrigo Silveira, um dos fundadores da Labsit.

Pode parecer óbvio que as empresas deveriam auxiliar os funcionários com os custos adicionais que o home office ocasiona, mas isso ainda está distante da maioria dos trabalhadores. De acordo com a pesquisa da FEA e da FIA, somente 29% das empresas fornecem ajuda de custo com a internet e 13% com a conta de energia. O número, apesar de baixo, melhorou: antes eram apenas 7% e 3% que ajudavam com as contas de internet e luz, respectivamente. 

“As contas ainda não foram balanceadas, e esse tipo de custo pesa muito para a população, especialmente a de renda menor”, diz André Fischer, da FEA.

Para completar, também há poucas empresas que enviam equipamentos ergonômicos necessários para os seus funcionários. Segundo a pesquisa, 29% das empresas não enviam equipamentos como cadeira e suporte para computador. Quase metade (49%) envia parte deles, e apenas 22% fornecem todos os equipamentos necessários. Os números melhoraram em comparação com o ano passado, mas ainda são baixos, segundo Fischer.

O Nubank entra na lista dos que enviam todos os equipamentos e ainda dão um auxílio financeiro. A fintech, que dobrou o número de funcionários desde o início da pandemia (hoje tem 4 mil empregados), também teve o desafio de conseguir fazer a integração de todos em um período tão turbulento. “Tivemos de mudar todo o processo de integração dos funcionários para essa nova realidade”, diz Deborah Abisaber, diretora do Nubank. 

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