Poucos negócios e pessimismo depois de eleição

Para o mercado, pouca coisa mudou desde sábado. O cenário político no segundo turno só deve aumentar a instabilidade e adiar medidas concretas do novo governo. Enquanto isso, espera-se muita tensão na rolagem de cambiais na semana que vem, a maior do ano, assim como outros compromissos externos do Brasil neste mês. Num dia de poucos negócios, o pessimismo renovou-se.A votação recebida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL) e José Serra (PSDB/PMDB), o favorito dos mercados, não surpreendeu, apesar de alguma diferença em relação às últimas pesquisas da semana passada. O fato é que a expectativa de vitória de Lula não se modificou. Uma reação mais forte dos investidores só seria sentida se Lula houvesse vencido já no primeiro turno ou se Serra tivesse recebido uma porcentagem muito mais expressiva dos votos.Assim, volta-se ao ponto em que os mercados estavam na sexta-feira, com inseguranças em relação a um governo petista na área econômica alimentando o nervosismo dos mercados, agravadas pelo prolongamento da campanha eleitoral. Agora, a disputa torna os entendimentos do PT com setores mais conservadores, inclusive o próprio PSDB, mais difíceis e o processo pode ser desgastante para Lula. Para o mercado, a espera por definições em meio a promessas de campanha deve trazer tensões e oscilações. No mínimo, pesquisas, debates, alianças e declarações voltam a influenciar os negócios.Para piorar o cenário, os grandes vencimentos de títulos atrelados ao câmbio estão próximos. No dia 17, serão US$ 3,62 em papéis do governo, e mais US$ 1,1 bilhão no dia 23, ambos antes da eleição. O Banco Central já anunciou que a rolagem será parcial. De qualquer forma, quem tem contratos corrigidos pela cotação do dólar especulará para que ela suba o máximo possível. Também espera-se a remessa de cerca de US$ 2 bilhões de empresas para honrar compromissos externos. Já na semana passada, operadores indicavam que havia pedidos de compras antecipando o volume de negócios no câmbio das próximas semanas.MercadosO dólar comercial foi vendido a R$ 3,7350 nos últimos negócios do dia, em alta de 3,18% em relação às últimas operações de sexta-feira, oscilando entre R$ 3,6500 e R$ 3,7400. Com o resultado de hoje, o dólar acumula uma alta de 61,27% no ano e 18,20% nos últimos 30 dias.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 20,450% ao ano, frente a 20,480% ao ano sexta-feira. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 25,850% ao ano, frente a 26,150% ao ano negociados sexta-feira.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 4,28% em 8863 pontos e volume de negócios fraco, de R$ 268 milhões, o quarto menor do ano. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 34,72% em 2002 e 8,78% nos últimos 30 dias. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, seis apresentaram altas modestas. O principal destaque foram os papéis da Embratel ON (ordinárias, com direito a voto), com queda de 9,23%. Mercados internacionais Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,40% (a 7422,8 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - caiu 1,80% (a 1119,40 pontos). Às 18h, o euro era negociado a US$ 0,9834; uma alta de 0,41%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em baixa de 1,81% (403,38 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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