Tiago Queiroz | ESTADÃO CONTEÚDO
Tiago Queiroz | ESTADÃO CONTEÚDO
Imagem Fábio Gallo
Colunista
Fábio Gallo
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Poupança ainda é boa para reserva de emergência

Todos os investimentos são bons em si, mas não a todo momento nem para todas as carteiras; títulos do Tesouro são indicados para o resgate com prazos maiores

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2019 | 04h00

Vi que o volume de saques superou os depósitos no Tesouro Direto em agosto. Pensando em poupança de curto prazo, esse é um bom investimento?

Minha primeira resposta é que sim, mas os ganhos são pequenos na comparação com caderneta de poupança e outros títulos de renda fixa. No curto prazo, o título mais indicado é o Tesouro Selic, que é um título pós-fixado, cuja rentabilidade é atrelada à taxa básica de juros. É o papel que possui menor risco na venda antecipada – o investidor pode sair do investimento a qualquer tempo. Realizando simulação no site do Tesouro Direto, a aplicação de R$ 1.000 com resgate em 2 de janeiro de 2020, o Tesouro Selic ganha da poupança e do CDB pela diferença de R$ 1. Em simulações de até 24 meses os ganhos do Tesouro Selic ficam um pouco maiores.

No entanto, deve ser considerado que há possibilidade de o Tesouro Selic perder na comparação com a poupança, caso ocorram custos de corretagem ou se esse título não pagar 100% da Selic – dependendo da demanda, o papel pode estar com ágio e render menos. Atualmente, a poupança rende 3,85% ao ano, o que equivale a 0,32% ao mês, e mesmo com esse baixo rendimento pode ser a melhor alternativa para reserva de emergências, de até seis meses.

Por isso e pela facilidade de aplicação, não é correto recomendar simplesmente sacar tudo que estiver na poupança. Todos os investimentos são bons em si, mas não a todo momento nem para todas as carteiras. Títulos do Tesouro são indicados para o resgate com prazos maiores, de preferência até o vencimento. A queda de juros reduziu o rendimento da renda fixa, levando para baixo os ganhos de aplicações de curto prazo e com baixo risco. A dica é pesquisar alternativas, buscar os custos mais baixos possíveis e aceitar mais risco para poder ter ganhos reais.

 

Tenho recebido oferta de empresas que operam com robôs de investimento. Isso é confiável?

Os robôs de investimento são confiáveis, afinal, são máquinas que realizam exatamente o que a elas foi determinado. O argumento é que são programados para agilizar processos e evitar erros humanos, obtendo resultados mais eficientes. Mas é preciso entender que o robô só funciona com uma programação, que é feita por humanos, e isso exige conhecimento de mercado. A base do programa é um algoritmo, tipo de receita com o passo a passo da resolução de uma tarefa. O objetivo é conseguir prever o mercado de ações usando algoritmos sofisticados. São desenvolvidos programas que operam grandes volumes de ações, títulos e outros instrumentos financeiros em velocidades ultrarrápidas, aproveitando-se de mudanças de preços em frações de segundo e tendências do mercado.

O uso de programas para o envio e execução de ordens de negociação com base em algoritmos definidos previamente pelo usuário leva em consideração fatores como preço de compra e venda, variação pretendida, volume de negociação, liquidez, etc. Um dos problemas que podemos antever é que há muitos algoritmos convergentes em estratégias diferentes. Com a negociação em alta frequência, o sistema como um todo se torna vulnerável ao comportamento de manada, o que indica aumento do risco sistêmico.

Essas constatações nos levam a questionamentos sobre se os algoritmos “identificam” padrões ou “criam” padrões. Estamos testemunhando uma das grandes transições na história dos mercados de capitais. Essa guerra de mercado operada em milissegundos estabelece uma nova relação entre máquina e homem. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.