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Poupança ainda vale para reserva de emergência

Aplicar na caderneta de poupança é fácil, não tem incidência de imposto de renda, tem garantia de até R$250 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), não tem custos e tem liquidez imediata

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 05h00

Em março, os depósitos na poupança voltaram a crescer. Com a renda fixa rendendo tão pouco, ela voltou a valer a pena?

Na minha opinião, a caderneta nunca deixou de valer a pena como mais uma alternativa de investimento. Não é segredo algum que seu retorno é baixo, mas seu risco também é muito baixo. Aplicar na caderneta de poupança é fácil, não tem incidência de imposto de renda, tem garantia de até R$250 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), não tem custos e tem liquidez imediata. O rendimento em 2017 foi de 7% para quem tinha investimentos antigos e de 6,9% para os novos. O IPCA atingiu 2,95%. Em 2018, as aplicações antigas tiveram retorno de 6,17% e as novas, de 4,68% ante um IPCA de 3,75%. Em 2019, se nada mudar, as cadernetas antigas renderão 6,17% e as novas, 4,55% para uma inflação prevista abaixo de 4%. Ou seja, ainda com ganho líquido real.

A caderneta de poupança deve ser para aquela reserva de emergência, aquele dinheiro que você guarda para fazer frente aos gastos cotidianos e de curto prazo. Obviamente, aquele investidor acostumado em deixar todo o seu dinheiro na caderneta de poupança chegará no fim do ano e verá que o retorno foi baixíssimo, que no máximo preservou o valor do dinheiro guardado. O aumento de depósitos cresceu pelo desencanto do investidor acostumado a bons ganhos sem risco, associado à facilidade de aplicação na poupança e falta de conhecimento das alternativas e de como compor melhor a sua carteira de investimentos. Isso mostra que o brasileiro precisa ainda buscar mais conhecimento sobre como avaliar os ganhos líquidos dos investimentos, sobre como investir para preservar sua riqueza.

O bitcoin voltou a superar US$ 5 mil depois de longo tempo. Você ainda rejeita criptomoedas como opção de investimento?

Eu afirmei anteriormente que essa opção não era adequada para os investidores conservadores. Mas, como qualquer outro ativo, real ou financeiro, o bitcoin e outras moedas virtuais são opções para o investidor. Mesmo sendo repetitivo, qualquer opção de investimento é boa em si, mas isso não significa que seja boa para todos os bolsos e em todos os momentos.

Nesta coluna eu já fui perguntado se o bitcoin estava morto e, na resposta, defendi que não, mas que devíamos entender que é um ativo que apresenta alto grau de risco por conta de suas características. Para recordar, em 2010 o bitcoin teve o preço mais alto de US$ 0,39 e, em 2017, bateu perto de US$ 20 mil. Nos últimos tempos, estava na casa de US$ 3 mil e hoje está em torno de US$ 5 mil. Não é um investimento para quem tem aversão a risco.

A minha crítica anterior e em que ainda acredito é que o bitcoin foi criado como um dinheiro eletrônico e que servisse como alternativa ao sistema tradicional, mas a tentativa de tornar essa moeda virtual em moeda fiduciária, livre de autoridade controladora, não está se concretizando. O fato de que o bitcoin é controlado pelos mineradores e, assim, é um ativo escasso, tem levado os detentores da moeda virtual ao seu entesouramento na expectativa de sua valorização.

A comparação que fiz anteriormente é que o bitcoin está mais para um ativo parecido com o ouro do que como uma moeda fiduciária. Com isso, quis dizer que só deve investir nesse ativo quem tem muito apetite a risco. Esse é o raciocínio de investimentos exóticos, como em vinhos ou obras de arte. São opções de investimentos que podem oferecer retornos extraordinários, mas têm um grau de risco altíssimo, não sendo indicados para todos os bolsos.

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