Poupança baixa ajuda a limitar o investimento

Em meio aos questionamentos sobre o custos fiscal dos empréstimos do Tesouro para o BNDES, o governo promete criar, até outubro, incentivos para bancos comerciais e o mercado de capitais no financiamento de longo prazo. Hoje, o BNDES concentra 20% de todo o crédito.

, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2010 | 00h00

Também para o economista Armando Castelar, analista da Gávea Investimentos e professor do Instituto de Economia da UFRJ, o financiamento de longo prazo não é o gargalo principal.

"O problema é a poupança baixa, de cerca de 16% do PIB. Não vai investir muito mais do que isso mesmo. Na América Latina é 22%. O Brasil está muito fora. Os países que mais investem são os que mais poupam", aponta.

Para Castelar, a recuperação do investimento no pós-crise teve influência pequena do BNDES. "O que efetivamente levou as empresas a investir foi a redução da incerteza." Para ele, o BNDES tem concentrado crédito porque mantém taxas muito vantajosas, o que inibe opções.

As alternativas ao BNDES, diz, não estão nos bancos comerciais. "É importante incentivar títulos mais longos, debêntures, mas é preciso criar um mercado secundário, criar a figura de um market maker que possa garantir preço e liquidez", defende. "As melhores empresas estão no BNDES. O que sobra para o mercado de capitais?"

Para ele, fundos de pensão e seguradoras são outros agentes financeiros cuja natureza casa com as necessidades de financiamento de longo prazo. "Seriam melhor aproveitados se tivessem saída para um mercado secundário de títulos, definindo suas decisões de investimento no mercado, com mais transparência, não em gabinetes".

Diferentemente de Messenberg, Castelar acredita que o investimento deve ser liderado pela iniciativa privada. "O governo é mau investidor, paga mais caro. Não acho o melhor caminho. Já vimos isso nos anos 70 e o resultado total foi negativo."

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