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Poupança causa atritos entre Fazenda e BC

Auxiliares diretos de Mantega se irritaram com precipitação do debate

Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

09 de maio de 2009 | 00h00

Alguns auxiliares do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ficaram irritados com a diretoria do Banco Central, porque ela explicitou pela segunda vez, na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na quinta-feira, uma pressão para que o problema da rentabilidade da poupança seja decidido logo. Segundo a avaliação de fontes da Fazenda ouvidas pela Agência Estado, a abordagem do assunto em um dos documentos mais importantes produzidos pela autoridade monetária precipitou o debate e deixou o governo numa situação delicada, já que a solução do tema ganhou caráter de urgência. O Copom já havia alertado para a necessidade de se reduzir a rentabilidade da poupança na ata da reunião de março. Na visão de auxiliares de Mantega, isso permitiu antecipar o embate político entre governo e a oposição, o que tornou o debate da poupança ainda mais difícil. Fontes do Banco Central, por sua vez, declararam que a ata apenas deu suporte técnico a algo que tem sido declarado pelo presidente da República. Antes de o assunto ir para a primeira ata do Copom, em 19 de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 16, falou em Nova York pela primeira vez sobre o tema, que dias antes tinha sido discutido reservadamente entre o BC e senadores do Grupo de Acompanhamento da Crise.Na ata de março, a autoridade monetária informou que o espaço para novos cortes de juros estaria relacionado, entre outros fatores, a "aspectos, resultantes do longo período de inflação elevada, que subsistem no arcabouço institucional do sistema financeiro nacional" - leia-se, a problemas como a garantia de uma rentabilidade de 6% ao ano para a caderneta. Na ata divulgada nessa semana, o tom foi mais incisivo, dizendo que uma decisão sobre o tema seria "premente". Na Fazenda, reconhece-se que esse é um tema que precisa ser enfrentado, pois não faz sentido um país normal conviver com um piso de taxa de juros., como se observa na poupança. A questão que as fontes colocam é que esse tema poderia ser tratado com mais calma e menor dose de paixão política. Isso porque, avaliam, esse problema só se torna concreto e urgente com a Selic abaixo de 9%, e não há perspectivas de a taxa básica ficar abaixo desse valor nos próximos dois anos, levando-se em conta as projeções do mercado apuradas pelo próprio Banco Central. Se o cenário é de que os juros dificilmente cairiam abaixo de 9% ao ano, argumenta uma fonte, o Banco Central poderia administrar a situação mexendo mais uma vez na taxa referencial (TR) e tornando-a praticamente insignificante. Dessa forma, a visão é de que uma corrida das aplicações de renda fixa para a poupança seria evitada e ainda não se deixaria os fundos confortáveis com as elevadas taxas de administração praticadas.

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