Poupança e fundos conservadores devem continuar perdendo da inflação em 2013

Com projeção de IPCA em 5,4%, investidor deve levar em conta o objetivo da aplicação financeira e o montante disponível para ser poupado

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2012 | 02h04

Em 2013, o cenário deve permanecer praticamente o mesmo para produtos mais tradicionais se os juros continuarem baixos. Dessa forma, a poupança e os fundos mais conservadores deverão perder da inflação. A nova poupança (com rendimento atrelado a 70% da Selic) deve render 5,07% ao ano. A expectativa do mercado, segundo o último Boletim Focus, do Banco Central, é que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo fique em 5,47%.

A decisão de manter o dinheiro numa aplicação com rendimento abaixo da inflação deve levar em conta o objetivo do investimento e o montante disponível para ser aplicado. "Claro que se o dinheiro é de curto prazo e o montante é relativamente pequeno, a poupança pode ser o melhor investimento", diz Sinara Polycarpo, superintendente de investimento do Banco Santander.

Na indústria de fundos, os multimercados têm aumentado a participação na esteira da queda da Selic. Levando-se em conta o patrimônio líquido, os fundos multimercado estão na segunda posição. Em novembro, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o patrimônio líquido da categoria era de quase R$ 470 bilhões. A liderança é dos fundos de renda fixa, com R$ 702 bilhões.

Vale ressaltar que os fundos multimercados são compostos por uma ampla gama de papéis. Ou seja, podem ter ativos que os deixem mais parecidos com fundos conservadores, ou podem ser extremamente arriscados, com alta alavancagem. Além disso, essa categoria costuma ter taxa de administração mais elevada, o que pode corroer parte do ganho do investidor.

"Dentro da categoria multimercado, existem várias gradações de risco. Alguns fundos são mais voláteis e operam com o mercado de ações, enquanto outros são menos", diz Sinara. "Alguns fundos multimercado podem ter rendimento negativo."

Outra mudança na indústria de fundos são os produtos de estratégia livre. "Nesse caso, não há compromisso com nenhum mercado específico e o gestor tem liberdade para fazer posições de curto, médio e longo prazo, o que pode propiciar um rendimento diferenciado em qualquer ambiente", diz Gilberto Poso, superintendente executivo de Gestão de Patrimônio do HSBC.

Contramão. Se os fundos mais arrojados tendem a ganhar espaços, os mais conversadores devem fazer o caminho oposto. Levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) aponta que, com os juros em 7,25% ao ano, a antiga poupança é mais vantajosa do que os fundos de renda fixa em todas as simulações, independentemente da taxa de administração e alíquotas de imposto de renda cobradas. Já a nova poupança tem rendimento superior aos fundos com taxa de administração superior a 1%.

"O dinheiro em produtos conservadores, na melhor das hipóteses, está repondo a inflação, dificilmente há um ganho real", afirma Marcos Daré, diretor da área de investimentos do Bradesco. "O investidor que procura receita tem de partir para produtos mais agressivos." Há, porém, segundo Daré, investidores que não estão dispostos a correr risco e só desejam manter o dinheiro protegido da inflação. "Existem perfis diferentes de clientes e alguns não estão tão preocupados com ganhos extraordinários."

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