Poupança encolhe R$ 17,5 bilhões em 2015

Para milhões de cidadãos, a conta de poupança praticamente se converteu, desde o primeiro trimestre deste ano, em uma espécie de conta corrente remunerada, de acordo com o tempo de permanência dos recursos. Como a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), ou seja, 6,17% ao ano, perdendo até da taxa da inflação acumulada em 12 meses medida pelo IPCA (9,56% até julho), houve uma grande fuga de aplicadores, que buscaram opções mais rentáveis, mesmo com o recolhimento do Imposto de Renda. Em larga medida, só continuaram aplicando em poupança os assalariados, aposentados ou pessoas que recebem rendimentos mensais em datas fixas, a grande maioria passando por uma situação de aperto.

O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2015 | 03h00

Caracteristicamente, os depósitos em contas de poupança aumentam no fim de cada mês com o pagamento de salários, aposentadorias e pensões, etc., e os valores vão sendo sacados pelas pessoas na medida de suas necessidades. Como os dados têm demonstrado, são cada vez mais escassas as sobras que poderiam ser deixadas nas contas; assim, as retiradas vêm superando os depósitos a cada mês que passa.

Em agosto, o pior mês para as cadernetas em 20 anos, a tradicional engorda dos depósitos no fim do mês foi bem menor do que o esperado, ficando em R$ 1,9 bilhão no dia 31, quando a média dos últimos meses era de cerca de R$ 4 bilhões. O resultado foi que, em agosto, os saques (R$ 163,4 bilhões) superaram os depósitos (R$ 155,8 bilhões) em R$ 7,5 bilhões, sendo registrado o maior valor mensal de retiradas desde março (R$ 11,4 bilhões).

O saldo acumulado da poupança vem decrescendo, estando agora em R$ 645,1 bilhões, inclusive rendimentos. Como esse saldo era, ao fim de dezembro de 2014, R$ 662,3 bilhões, segundo o Banco Central (BC), verifica-se que houve um decréscimo nessa aplicação, em termos nominais, de R$ 17,5 bilhões neste ano.

Naturalmente, esse progressivo encolhimento das cadernetas de poupança preocupa o setor da construção civil, já que 65% dos recursos da poupança devem ser destinados a financiamentos imobiliários. Recorda-se que, para amenizar essa situação, o BC liberou, em maio, R$ 22,5 bilhões dos depósitos compulsórios sobre a poupança, para reforçar os empréstimos habitacionais.

Isso teve pouco efeito sobre o mercado, que se ressente não só de recursos, mas do desaquecimento da demanda que permeia toda a economia.

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