Poupança ganha de 60% de cotistas

2,3 milhões de investidores em carteiras conservadoras pagam taxa a partir de 2% e já perdem da caderneta

Mariana Segala, O Estadao de S.Paulo

29 de junho de 2009 | 00h00

Atenta às notícias sobre a queda dos juros, a representante de vendas Daiane Rodrigues, de 32 anos, voltou a avaliar a mordida da taxa de administração na rentabilidade de seus investimentos. Ela é apenas um exemplo no universo de milhões de pequenos investidores em fundos conservadores sujeitos a rentabilidade inferior à da caderneta de poupança neste momento de Selic em baixa. Com a taxa básica de juros em 9,25% ao ano, nada menos de 2,3 milhões de pequenos aplicadores em fundos de renda fixa, DI ou curto prazo com taxas iguais ou superiores a 2% ao ano terão de se contentar com rendimento que nem empata com o da poupança, de 0,50% ao mês mais a variação da Taxa Referencial (TR) . Esse grupo corresponde a 60% de todos os investidores pessoa física nessas categorias da indústria de fundos, segundo a equipe do site Fortuna. A saída para o aplicador é negociar, como Daiane. "Depois de apanhar, agora presto mais atenção. No passado, cheguei a pagar 5% de taxa de administração em renda fixa", conta. Quando se deu conta, ela correu até o gerente do banco e, após muita negociação, conseguiu taxas menores. Hoje, a representante de vendas mantém dois fundos de renda fixa, que cobram 0,8% e 1% ao ano. "Eles ainda superam a caderneta de poupança", diz. Mas ela continua atenta. "Se deixar de valer a pena, saio e invisto mais em renda variável", afirma Daiane.Uma simulação feita pelo coordenador do Centro de Estudos de Finanças Pessoais e Empreendedorismo (Cefipe), Marcos Silvestre, aponta resultado desolador. "Supondo um fundo com rentabilidade bruta igual à Selic, seu retorno mensal seria de 0,74%. Descontando Imposto de Renda de 22,5% (a maior alíquota, para prazos de até seis meses) e a taxa de administração de 2% ao ano, o resultado líquido é de 0,40%", calcula Silvestre, indicando que o retorno da poupança já está acima desse rendimento mensal. "O investidor precisa pesquisar mais opções. Quem quiser comodidade vai levar o mínimo para casa ou até rentabilidade real negativa", alerta o consultor.ENTENDARentabilidade real - Retorno do investimento, descontado o efeito da inflação. Permite ao investidor verificar se a rentabilidade é suficiente para manter o poder de compra ao longo do tempo.Taxa referencial - Indexador calculado a partir da remuneração mensal média dos depósitos a prazo fixo captados pelos bancos.

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