Poupança pode perder R$ 60 bilhões este ano

As cadernetas de poupança vêm passando por uma de suas piores fases das últimas duas décadas. Em novembro, pelo 11.º mês consecutivo, os saques nas contas de poupança superaram os depósitos, desta vez em R$ 1,3 bilhão, recorde mensal de retiradas líquidas. A saída não foi maior porque, em 30 de novembro, houve depósitos de salários em maior volume com o pagamento da primeira parcela do 13.º salário, o que fez com que o total alcançasse R$ 165,5 bilhões. Mas grande parte do dinheiro foi sacado imediatamente, ficando as retiradas em R$ 166,8 bilhões.

O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2015 | 02h55

De janeiro a novembro, a perda líquida da poupança (retiradas menos depósitos) já alcançou R$ 58,357 bilhões. Assim, não será surpresa se a saída líquida das cadernetas de poupança ficar próxima a R$ 60 bilhões em todo o ano de 2015. 

O saldo nessa modalidade, incluindo a poupança rural, chegou a R$ 647,6 bilhões em novembro, 2,27% a menos, em termos nominais, do que o saldo ao fim de 2014 (R$ 662,7 bilhões). A redução parece pequena, mas se deve notar que, no período de janeiro a novembro a inflação, medida pelo IPCA, foi de 9,62%. Nos últimos 12 meses findos em novembro, a inflação alcançou 10,48%, enquanto a poupança rendeu 7,94%, 2,54 pontos porcentuais a menos, deixando claro quanto o investidor que permaneceu nessa aplicação perdeu em poder de compra.

A poupança deixou há muito de competir com outras modalidades de investimento, sendo utilizada por pequenos poupadores ou para aplicações a curto prazo. O desinteresse por ela pode ser ainda mais acentuado se o Comitê de Política Monetária (Copom), voltar a elevar a taxa Selic, atualmente em 14,25%.

A progressiva derrocada das cadernetas não parece impressionar as autoridades monetárias, mas preocupa, sim – e muito –, o setor imobiliário. Pela legislação em vigor, 65% dos recursos da poupança devem ser destinados à construção civil, que vêm passando por uma severa crise.

O quadro se agrava porque as instituições financeiras, além de terem se tornado mais seletivas na concessão de crédito, têm reajustado o custo dos financiamentos para a compra da casa própria. Os juros para essa área vêm aumentando tanto no sistema bancário privado como nos bancos públicos.

A Caixa Econômica Federal, que responde pela maior parcela do crédito imobiliário, já elevou os juros para essa modalidade três vezes este ano.

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