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Poupança rende menos que valor de aluguel

Aluguel paga atualmente cerca de 0,4% ao mês, só um pouco mais do que a caderneta, que rende 0,37%

Fabio Gallo, O Estado de S. Paulo

13 de maio de 2019 | 05h00

Tenho uma dívida de R$ 60 mil, embora esteja aguardando receber no período de 30 a 60 dias um valor de R$ 50 mil. O que é melhor fazer: aguardar o recebimento pagando juros ou buscar outro empréstimo e, quando receber o dinheiro, quito toda a dívida?

Como os juros de dívidas são muito altos, principalmente se forem de diversas fontes, como cheque especial ou cartão de crédito, o mais indicado é negociar, buscando concentrar a dívida com um só credor e juros mais baixos. Tente obter um crédito consignado ou mesmo um crédito pessoal que, sem dúvida, são linhas mais baratas. No site do Banco Central é possível conferir as taxas médias das linhas de crédito: no cheque especial é de 12,76% ao mês e no cartão de crédito parcelado, de 8,91% ao mês. O crédito pessoal vinculado à composição de dívida está em 3,97% ao mês e o crédito consignado para o setor privado em 2,70% mensais. Vale pesquisar em outros bancos tentando obter a menor taxa; se for o caso, use da portabilidade do crédito e transfira a dívida para a instituição com juros menores. Quando você receber o valor que está aguardando, negocie com o credor e tente obter desconto para quitação à vista. Os bancos usualmente são duros em oferecer reduções de dívida quando o cliente está pagando, mas você tem de insistir para tentar ficar sem dívida alguma. Por outro lado, seu esforço de nada adiantará se você não se organizar, preparando seu orçamento para zerar o déficit mensal e passar de devedor a poupador. Organizar o orçamento dá um certo trabalho, mas nada como um pouco de treino para tornar tudo mais fácil. Assim, você poderá viver as vantagens de ser investidor num País que é o inferno para o devedor e o céu para o credor.

Comprei um imóvel em 2005 por R$ 170 mil, hoje avaliado em R$ 750 mil. Está alugado por R$ 3 mil, mas o inquilino vai sair em breve. Vale a pena vender o imóvel e aplicar o dinheiro ou continuar alugando? No caso de venda, o imposto sobre ganho de capital será de quanto? Não pretendo comprar outro imóvel. No caso de venda, onde investir para proteger meu patrimônio?

Seu ganho bruto com o aluguel está em 0,4% ao mês, considerando o valor do imóvel em R$ 750 mil. Mas nessa conta haverá o desconto do Imposto de Renda que deve ser de R$ 95,20 mensais, fora os custos de administração do imóvel e possíveis gastos esporádicos como consertos no imóvel, vacância e atrasos ou não pagamento do aluguel. Apenas para comparação, a caderneta de poupança está pagando 0,37% líquido por mês e sem custos. No caso de venda do imóvel há incidência de imposto de renda com alíquota de 15% sobre o ganho de capital, mas sendo aplicados fatores de redução que num cálculo aproximado deverão gerar o pagamento de R$ 48 mil de tributo. Portanto, você teria em mãos para aplicação algo como R$ 700 mil. Comparando com o rendimento da poupança, sua renda mensal seria de R$ 2.625 líquidos contra o recebimento atual do aluguel de R$ 2.904, mas com outros descontos a considerar. Essa diferença não é decisória a favor da manutenção do imóvel, e outros fatores devem ser considerados – o desejo de manter o bem, querer ter uma reserva financeira mais líquida, se é um bom momento para a venda, entre outros. Caso a decisão seja pela venda, considere investir numa carteira com fundos de renda fixa, títulos do Tesouro Direto, LCI ou LCA. Administrando adequadamente a carteira, com certeza seu ganho líquido será maior do que o considerado nos nossos cálculos.

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