Poupança segue como boa opção para investidor com aversão ao risco

Disponho de cerca de R$ 15 mil na poupança. Não é todo mês que tenho condições de fazer aportes na poupança. Com a queda da taxa Selic para 8%, compensa eu manter meu dinheiro na poupança ou devo colocar num fundo DI ou em outro fundo? Qual a sua recomendação?

Fábio Gallo,

30 de julho de 2012 | 03h09

A caderneta de poupança ainda é uma boa opção para aqueles que têm maior aversão ao risco e podem precisar do dinheiro para uma emergência. Além disso, a rentabilidade líquida da poupança ainda é atraente porque não há incidência de Imposto de Renda e custos, como nos fundos e outros ativos de renda fixa. Mesmo com a nova regra de remuneração que oferece 70% da taxa Selic (hoje em 8% ao ano) mais variação da TR, a caderneta de poupança é uma aplicação que traz melhor rentabilidade líquida do que os fundos de renda fixa que têm taxa de administração acima que 1%. Os cálculos indicam que os fundos que podem remunerar mais do que a poupança são os com taxa de administração abaixo de 0,5%, justamente aqueles que as pessoas com menor valor não tem acesso. Uma dica é você fazer conta comparando os rendimentos líquidos oferecidos pelos títulos do Tesouro Direto.

Tenho 73 anos e sou aposentado com rendimento bruto mensal de aproximadamente R$ 40 mil isento do Imposto de Renda. Tenho um patrimônio razoavelmente estruturado entre imóveis, carro e aplicações financeiras diversificadas. Necessito complementar o pagamento de apartamento adquirido há dois anos na planta - já paguei aproximadamente R$ 230 mil. Restam, em valores atualizados, R$ 670 mil, previstos em 24 prestações mensais pela Tabela Price com juros de 12% ao ano e correção pelo IGP-M. Seria interessante liquidar o saldo da seguinte forma: a) antecipação das 12 últimas prestações no montante de R$ 337 mil para pagamento em 30/07, com deságio de R$ 47 mil; b) pagamento normal das 12 primeiras prestações, com inicial de R$ 28 mil. Dessas doze, poderia antecipar três ou quatro parcelas dependendo das disponibilidades. A antecipação das 24 prestações neste momento resultaria num deságio de R$ 63.500. Pensei nessa forma de pagar porque não antecipar o pagamento integral vai preservar um montante mais seguro de capital com maior liquidez.

A primeira observação é que a prestação de R$ 28 mil corresponde a 70% da receita mensal. Obviamente, é um valor muito elevado. Assim, o mais indicado é livrar-se dessas prestações o mais rápido possível. Quantos as opções: no caso de quitação total o desembolso seria de R$ 606.500,00 e o desconto seria de 9,48% do total. Por outro lado, no caso de antecipação das 12 últimas, o desembolso seria de R$ 337 mil com um desconto possível de 13,95%. Assim, caso você tenha disponibilidade e, como as suas aplicações não devem estar trazendo o rendimento líquido de 12% ao ano mais IGP-M, a melhor opção seria liquidar a dívida, mas considerando obter um desconto maior do que o oferecido (9,48%). No caso de você querer manter uma maior folga de reservas a opção de quitar as 12 últimas prestações parece-me interessante. Dentro de um ano você estará livre deste financiamento, aproveitando do desconto e com reservas.

Tenho uma dúvida relativa ao termo "renda mensal" sempre que é usado como referência para investimentos, poupança e despesas. Considerando que, na maioria das vezes, o termo se refere ao salário fruto do trabalho, podemos considerar que ele consiste na "renda bruta" ou na "renda líquida"?

No nosso dia a dia o termo "renda mensal" refere-se ao nosso salário, ou seja, o ganho mensal bruto. Mas, quando estamos nos referindo ao orçamento familiar, nós temos que tratar tanto ganhos quanto despesas em termos líquidos. Por exemplo, caso tenha um salário de R$ 3.500 você deve considerar no seu orçamento exatamente a quantia que entra no seu bolso e não esse valor bruto. Por outro lado, não importa muito se você vai controlar o seu orçamento familiar com um software sofisticado ou num caderno, o importante é anotar tudo, sem exceções. O orçamento é a chave para o sucesso do planejamento financeiro da família e que permitirá vocês viverem com os próprios meios. Importante também é manter o controle anual, além do mensal. Há receitas e despesas que ocorrem em certo mês ou períodos do ano uma vez no ano, como bônus, restituição do Imposto de Renda, IPVA, matrícula escolar, etc. A dica, principalmente, para aqueles que não têm a prática de controlar os seus gastos, é passar um período inicial, um ou dois meses, anotando em um caderno tudo que gastar, de maneira absolutamente rígida. Não esqueça sequer de gorjetas, esmolas, estacionamentos, enfim tudo.

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* PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV E DA PUC-SP

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