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Poupança tem a pior rentabilidade em 6 anos

No acumulado até novembro, rendimento estava em 1,57% sem contar a inflação

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2010 | 00h00

Os três aumentos promovidos na taxa básica de juros (Selic) em 2010, de 8,75% para 10,75% ao ano, não conseguiram salvar a poupança do pior resultado dos últimos seis anos. A alta da inflação corroeu boa parte dos ganhos. Até novembro, a rentabilidade real (menos a inflação) da aplicação somava apenas 1,57% no ano, segundo levantamento da empresa de informações financeiras Economática.

Descontando a inflação de dezembro, que ainda não foi divulgada, a expectativa é de que a caderneta feche 2010 com rentabilidade de apenas 1%. Antes disso, o menor resultado da poupança havia sido em 2004, quando o poupador ganhou apenas 0,46%.

Em termos nominais (sem descontar a inflação), a poupança vai fechar o ano em 6,9%, o pior resultado da série histórica da Economática, desde 1967. Em todo governo Lula, o rendimento nominal da caderneta foi de 89,4%, ante 218,6% dos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Tirando a inflação, o ganho foi de 21,6% no governo Lula e 58,8% no de FHC.

Na prática, um poupador que depositou R$ 1 mil na caderneta em 1.º janeiro de 2003, conseguiu uma rentabilidade real de R$ 337 (sem considerar a inflação de dezembro) em todo o governo petista. Na época do FHC, esse ganho foi de R$ 1.179. O motivo principal é que, naquela ocasião, as taxas de juros - que servem de base para a remuneração da poupança - estavam na casa dos 20% ao ano. Com a estabilidade econômica, foi possível reduzir os juros para os menores níveis da história, o que consequentemente diminuiu o ganho da poupança.

Mas, segundo especialistas, os investidores podem se acostumar. A tendência é de que a poupança continue com rentabilidade baixa, especialmente diante do objetivo da presidente Dilma Rousseff de reduzir o juro real do Brasil para algo em torno de 2% ao ano - hoje está na faixa de 5% ao ano. Alguns economistas acreditam que será preciso mudar as regras da caderneta de poupança.

Para o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP) William Eid, hoje, apesar da queda na rentabilidade, a caderneta ainda é vantajosa se comparada com fundos de renda fixa e Tesouro Direto (compra direta de títulos federais), que cobram taxas e são tributados. "Na verdade, quem entra na poupança não está procurando rentabilidade, mas proteção do dinheiro."

Preferência. De fato, os números revelam que a redução dos ganhos não tem pesado na decisão dos investidores. Segundo dados da Caixa, até novembro, a poupança registrava montante recorde de R$ 11,3 bilhões de captação líquida (depósitos menos resgates) no ano - valor 60% superior ao registrado em igual período de 2009.

Só no mês de novembro, a captação líquida foi de R$ 1,465 bilhão. O saldo total da poupança é de R$ 126,5 bilhões. De acordo com a Caixa, em 2010 foram abertas 3,7 milhões de novas poupanças.

Na avaliação do administrador de investimentos Fábio Colombo, quem quiser ganhar dinheiro terá de aceitar correr mais riscos e buscar outras alternativas de aplicações. Apesar de a bolsa de valores estar em um nível considerado "caro", ele recomenda destinar uma fatia dos investimentos para o mercado acionário.

"A bolsa não é preto ou branco. Ela é cinza. Não dá para ficar totalmente fora." Mas Colombo destaca que é preciso ficar atento às operações para sair ou entrar no momento certo. "É preciso se mexer e começar a estudar as oportunidades." Para esses investidores, no entanto, a recomendação constante é "não ter data marcada para usar o dinheiro".

Outra opção de investimento que se tem mostrado rentável é a compra de imóveis, diz o administrador. "Depois de alguns anos, eles voltaram a ser um bom negócio. Pode ser uma alternativa interessante para quem tem uma grana maior."

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