Pousos e decolagens são o de menos

Empresas de diferentes regiões já estão se preparando para entrar na lista de donos de aeroportos brasileiros. Esses grupos já pediram autorização da Secretaria de Aviação Civil para construir cinco novos aeroportos para aviação executiva. Dois deles estão em construção e os demais aguardam aprovações de órgãos federais, estaduais e municipais para iniciar as obras.

Marina Gazzoni, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2014 | 02h08

A construtora Penido, do Vale do Paraíba, é a que tem o projeto mais avançado: o Aerovale, em Caçapava (SP). A empresa pretende inaugurar a pista de pouso em maio, antes da Copa. Com experiência em obras públicas e em loteamentos, o grupo lançou um projeto que une aeroporto para aviação executiva e incorporação imobiliária de hangares e lotes para condomínio logístico. A construtora é dona de outros 6 milhões de m² no entorno do Aerovale, onde pretende construir centro de convenções e condomínios residenciais. "Meu ganho será com o entorno", disse o sócio-fundador da Penido, Rogério Penido.

A possibilidade de lucrar com rendas recorrentes e trazer previsibilidade de receita ao negócio tem atraído outras incorporadoras para o ramo. A JHSF, que faturou R$ 960 milhões em 2012 com incorporação imobiliária e administração de shopping centers, vai estrear no setor com a construção de um aeroporto para aviação executiva, em São Roque. As obras começam nas próximas semanas.

O aeroporto faz parte do projeto Catarina, um bairro planejado que será lançado pela empresa numa área de 7 milhões de m² - 60% ocupada pelo aeroporto e o restante dividido em outlet, hotel e torres residenciais e corporativas. Só o aeroporto deve receber R$ 500 milhões de investimento e o projeto total movimentará R$ 6 bilhões, segundo estimativas de mercado.

"Reduzimos a área de imóveis residenciais para colocar o aeroporto no projeto. Isso está em linha com a estratégia da empresa de aumentar sua receita com renda recorrente, reduzindo o peso da incorporação no faturamento do grupo", disse Rogério Lacerda, diretor de incorporações da JHSF. "Já fazíamos empreendimentos de uso misto. O aeroporto é uma inovação", completa Lacerda.

As construtoras pernambucanas Casa Grande Engenharia e Romarco também entraram no setor para tentar lucrar com aluguel. "Desistimos de um loteamento para fazer o aeroporto e ganhar com locação de hangares e tarifas", diz o diretor comercial da Casa Grande Engenharia, Jorge Leitão. A empresa já está construindo o aeroporto, mas aguarda a autorização da SAC para poder cobrar tarifas aeroportuárias.

Enquanto as incorporadoras tentam diversificar negócios, a Harpia Logística, dos empresários André Skaf e Fernando Augusto Botelho, já nasceu com foco em aviação. A companhia tem a aprovação da SAC para construir um aeroporto em Parelheiros, na zona sul de São Paulo, mas ainda depende do aval da Prefeitura e do Estado para iniciar as obras. "A empresa é 100% focada em aviação. A demanda por infraestrutura aeroportuária no Brasil é enorme. Já estamos olhando outros três projetos", disse Skaf.

Já o grupo paranaense JMalucelli, que fatura R$1,8 bilhão e tem 74 empresas, quer construir um aeroporto em Balsa Nova, a 55 km de Curitiba, para aproveitar uma área que detém há 30 anos. "Hoje é reflorestamento, mas já temos um plano de corte aprovado. Identificamos que há potencial para um aeroporto na região", diz o fundador do grupo Joel Malucelli.

A empresa já pediu autorização para a SAC para atender a aviação executiva, mas espera mudanças na legislação para poder explorar o local também com transporte de carga. / M.G.

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