ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

Após PSB se posicionar contra, PPS trabalha para fechar questão a favor das reformas; PR não decidiu

O presidente do partido, Roberto Freire, teria iniciado as conversas para que a legenda apoie as medidas; PR ainda não chegou a um entendimento

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2017 | 11h28

BRASÍLIA - Num movimento contrário ao tomado pelo PSB, a cúpula do PPS trabalha para fechar um posicionamento oficial a favor da votação das reformas da Previdência e Trabalhista no Congresso. 

Segundo o Estado apurou, após encontro com o presidente Michel Temer, que reuniu na última segunda-feira, 24, todos os integrantes do primeiro escalão para pedir apoio às propostas, o ministro da Cultura e presidente do PPS, Roberto Freire, iniciou as conversas para que a legenda feche questão a favor das medidas. 

Atualmente, o PPS conta com oito deputados devendo ter a bancada ampliada para nove nos próximos dias. A ideia inicial de Freire é ouvir os parlamentares ao longo desta semana e anunciar o posicionamento da legenda em reunião da Executiva prevista para o início de maio. 

Com a decisão, o PPS segue alinhado com a cúpula do governo que viu na segunda-feira o PSB anunciar que não pretende apoiar a votação das reformas da Previdência e Trabalhista

Atualmente, o PSB conta com uma bancada de 35 deputados. O partido, porém, nunca esteve fechado completamente com o governo nas votações em plenário. Do total de parlamentares, o Palácio conta normalmente entre 10 a 15 votos da bancada do PSB. O trabalho do governo agora será o de segurar esse grupo. Para essa missão o Palácio contará com o atual ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, deputado federal por Pernambuco, e com o senador Fernando Bezerra (PSB-PE), pai do ministro.

Indeciso. Por outro lado, o Partido da República (PR) ainda não chegou a uma decisão, segundo afirmou o presidente e ex-ministro Antônio Carlos Rodrigues nesta terça-feira, 25. Ele afirmou que irá consultar ao longo do dia o líder do PR na Câmara, Aelton Freitas (MG), para tomar pulso da bancada sobre o posicionamento da maioria dos deputados. "Ainda não tenho uma posição da bancada. Vou falar com o Aelton para ver como está", afirmou Rodrigues ao Estadão.

O presidente do PR minimizou, porém, a decisão da cúpula do PSB. "A posição do PSB já era algo notório. Mas esquisito o tamanho da estrutura que eles têm", ressaltou. O PSB detêm hoje o comando do ministério de Minas e Energia, uma das principais pastas da Esplanada dos Ministérios, ocupada pelo deputado federal Fernando Coelho Filho (PE). Já o PR conduz o ministério dos Transportes, com o deputado federal Maurício Quintella Lessa (AL).

Dificuldades. Apesar da falta de uma definição oficial do PR sobre a Previdência, integrantes da legenda ouvidos pela reportagem ressaltam que tem sido duras as discussões em torno do tema. Um dos principais discursos utilizados pelos parlamentares é o desgaste político que as mudanças nas aposentadorias irão trazer para as próximas eleições de 2018.

De acordo com cálculos preliminares antes das últimas alterações no relatório da Previdência, a proposta contava com o apoio de apenas 14 deputados do PR. Os demais, 25, eram contrários. Embora haja fortes resistências à Previdência, o PR não deve criar obstáculos para aprovação da reforma Trabalhista no plenário da Câmara. A bancada ajudou a aprovar o requerimento de urgência, que deu celeridade nas discussões da matéria, registrando 27 votos a favor e 5 contra. A tendência é de que um placar próximo a esse se repita quando o projeto for colocado em votação no plenário da Casa, o que pode acontecer nesta quarta-feira, 26.

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