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Praga da lagarta já ameaça 4 Estados

Goiás e parte de Minas Gerais se somam a Bahia e Mato Grosso na área de infestação da helicoperva armigera, que ataca plantações

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2013 | 02h16

SOROCABA - Depois de Bahia e Mato Grosso, mais dois Estados acabam de entrar em emergência sanitária por causa dos ataques da lagarta helicoverpa armigera, a mais nova praga da agricultura brasileira. A inclusão do Estado de Goiás e parte de Minas Gerais na área considerada de alta infestação foi publicada no 'Diário Oficial' da União de ontem.

Com o decreto, essa região poderá adotar medidas especiais para o controle da praga. Goiás teve o território todo declarado em estado emergencial. Já em Minas Gerais o decreto atinge 90 municípios de várias regiões, entre eles grandes produtores agrícolas, como Uberaba e Uberlândia, no Triângulo Mineiro. 

As medidas de controle estão previstas na Portaria 1.109, de 7 de novembro, que estabelece diretrizes para o manejo integrado da lagarta, entre elas o vazio sanitário - período em que as lavouras suscetíveis não devem ser cultivadas para quebrar o ciclo de reprodução da lagarta -, a adoção de áreas de refúgio e a destruição de restos culturais.

Também está autorizada para essas áreas a importação de produtos agroquímicos que tenham como ingrediente ativo a substância benzoato de emamectina, ainda não liberada para uso regular nas lavouras brasileiras. Os produtores devem seguir normas específicas para a utilização e o uso será acompanhado por fiscalização.

O problema com relação à destruição de restos culturais é o sistema de plantio direto, adotado pelos produtores mais tecnificados, que atualmente são a maioria. Nesse sistema, a semente de um novo plantio é introduzida no solo sem o revolvimento da terra, que fica protegida pela palha da cultura anterior.

A supressão da palha para eliminar ovos da lagarta pode prejudicar esse sistema de plantio, mais econômico e sustentável ambientalmente, e ainda deixar o solo exposto à chuva, causando erosão.

Atualmente, 27 milhões de hectares de culturas temporárias são cultivadas nesse sistema, que permite até três cultivos numa mesma área - outro fator favorável à reprodução do inseto.

Ameaça. Considerada a principal praga desta safra, a lagarta helicoverpa armigera só foi reconhecida como uma nova ameaça em março deste ano, embora possa ter sido responsável por severos ataques ocorridos nas principais culturas da região do Cerrado desde fevereiro de 2012.

Apesar do pequeno porte - de 3 a 4 centímetros -, o inseto se prolifera rapidamente, tem alta mobilidade e é extremamente voraz, atacando um grande leque de plantas. Os maiores prejuízos ocorrem nas lavouras de milho, algodão, soja, feijão, milheto e sorgo, mas há relatos de ataques em tomate, pimentão, café, citros e outras plantas.

Apenas no oeste da Bahia, primeiro Estado a entrar em emergência, estima-se um prejuízo de R$ 2 bilhões causados pelos ataques da praga.

Pesquisadores acreditam que a praga foi introduzida no País, mas não se sabe há quanto tempo. Houve registro de ataques da lagarta em Goiás em março de 2009. No oeste de Mato Grosso, as chuvas que vêm caindo na região, aliadas ao calor, aumentam a infestação da praga nesta safra, com 90% da área prevista já cultivada.

O coordenador da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal do Ministério da Agricultura, Wanderlei Dias Guerra, acha que houve demora do próprio governo em dar atenção à praga.

Outros Estados. A presença da lagarta já foi registrada em outros Estados, como Tocantins, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, mas os casos de alta infestação ainda são pontuais nessas regiões.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), Glauber Silveira, criticou a burocracia para a liberação dos defensivos de combate à praga. "Depois de decretada a emergência, ainda levam 20 dias para poder iniciar o combate. Será que o produtor tem de pedir para a lagarta esperar até ele conseguir a liberação do defensivo?"

O coordenador-geral de Registro de Agrotóxicos do Ministério, Luis Eduardo Rangel, disse que o defensivo só deve ser usado em caso de alta infestação, para a redução na população de lagartas.

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