Pratini espera volta do trigo argentino

O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse que espera a normalização dos embarques de trigo vindos da Argentina. Segundo ele, o governo brasileiro entrou em contato com autoridades argentinas, que afirmaram que a retomada das exportações deve ocorrer nos próximos dias. "Com a normalização das operações cambiais, o problema deve ser resolvido", disse o ministro. Segundo Pratini, o Brasil também estuda outras alternativas para impedir o desabastecimento da indústria panificadora brasileira. "Caso persistam os problemas na Argentina, o Brasil poderá reduzir as tarifas de importação para trazer trigo dos EUA", explicou. Carne e açúcar para a RússiaPratini de Moraes disse que a Rússia deve retirar o embargo às exportações de suínos do Rio Grande do Sul até maio deste ano. "Os técnicos russos afirmaram que devem voltar a importar carne do Estado após um ano da erradicação do último foco de aftosa", explicou o ministro. "Nós estamos tentando antecipar essa data." Pratini disse que os técnicos do Ministério da Agricultura que acompanham a visita do presidente Fernando Henrique Cardoso à Rússia estão tentando ampliar a participação brasileira no mercado de carnes daquele país, incluindo a entrada de carne suína no varejo russo. Outra pauta é a redução da tarifa russa para entrada de açúcar brasileiro. Atualmente, a Rússia importa anualmente, de vários produtores, uma quota de 3,65 milhões de toneladas de açúcar demerara, com tarifa de 5%. O que ultrapassa esse volume, independente da origem, é taxado em 40%. "Queremos reduzir esta tarifa à metade, quando a Rússia ingressar na OMC", disse o ministro.O Brasil também está negociando um acordo de equivalência sanitária com a China, informou o ministro. Segundo ele, há interesse brasileiro em ter maior acesso ao mercado de aves e carne bovina da China. "Deve haver uma reunião entre técnicos brasileiros e chineses no início deste ano", disse o ministro. Pratini disse que o programa de rastreabilidade do rebanho bovino deve aumentar ainda mais o mercado para carne e produtos de couro do Brasil. "Com um certificado de qualidade, será agregado valor à produção nacional e, até 2007, esperamos que todo o rebanho esteja seguindo as normas", explicou. "Em 5 anos, o Brasil será o maior exportador de carnes do mundo." O ministro atribuiu aos atentados de 11 de setembro em Nova York e à recessão dos EUA a frustração na expectativa de crescimento das exportações do setor de couro. Em 2001, o setor esperava ter um aumento de 15% nas exportações. "O Brasil ainda concentra muito de suas exportações para o mercado americano; o desafio é a conquista de novos mercados." No ano passado, o setor teve um faturamento de US$ 10 bilhões e exportou US$ 1,6 bilhão. A expectativa para 2002 é de que as exportações atinjam US$ 1,8 bilhãoCandidatoPratini de Moraes reiterou que é pré-candidato à Presidência da República por seu partido, o PPB. "Mantenho meu nome, humildemente, à disposição do partido, mas este é um assunto para ser discutido após a desincompatibilização dos cargos executivos", disse. "Por enquanto, concentro minhas atenções, 100%, no Ministério da Agricultura." Questionado por jornalistas se seria conveniente ao PPB ter candidatura própria, mesmo diante da votação inexpressiva de Espiridião Amin nas últimas eleições presidenciais, Pratini disse não ver problemas. "O PPB é o maior partido do Sul, governa Santa Catarina e tem o maior número de prefeituras no Rio Grande do Sul", afirmou. "Não há nada de errado em marcar posição, mesmo se for para apoiar outra candidatura no segundo turno."O ministro participou, nesta manhã, da cerimônia de abertura da Couromoda 2002, feira que congrega fabricantes de calçados, artigos esportivos e artefatos de couro. Também estiveram presentes no evento o vice-presidente da República Marco Maciel (PFL-PE), a prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT-SP), o senador Romeu Tuma (PFL-SP), o governador Olívio Dutra (PT-RS) e o governador Espiridião Amin (PPB-SC).

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