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Pratini vai aos EUA reclamar dos prejuízos com a Farm Bill

O ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, estará nos Estados Unidos no dia 20 de maio, onde terá uma reunião com a secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Ann Venemann. Entre os assuntos que serão tratados pelo ministro com a secretária americana, estão os prejuízos que a nova lei agrícola dos EUA, a Farm Bill - aprovada na semana passada pelo Congresso americano - deverá causar à agricultura brasileira.Com a nova lei, os subsídios concedidos aos agricultores americanos terão um adicional de US$ 73,5 bilhões nos próximos dez anos. Ou seja, no total, considerando o que já foi concedido até este ano (quando acaba a lei atual), os produtores americanos terão recebido US$ 173 bilhões dos cofres do governo aplicados em diversos instrumentos de apoio à produção agrícola daquele país. No fim de semana passado, em Uberaba - durante a Expozebu -, o ministro já manifestou a sua contrariedade à embaixadora americana no Brasil, Donna Hrinak. Na ocasião, Pratini disse querer saber por que os países em desenvolvimento têm de abrir seus mercados se as restrições ao comércio pelos Estados Unidos têm sido cada vez mais crescentes. A estimativa do governo brasileiro e do setor privado é de que os prejuízos à agricultura brasileira cheguem a US$ 2,4 bilhões ao ano, somando os danos à soja (US$ 1,6 bilhão anuais) e ao milho e ao algodão (de cerca de US$ 500 milhões respectivamente). O ministro também deverá insistir para que as autoridades americanas abram mercado para as exportações brasileiras de carne bovina "in natura". Esse processo de negociação já se arrasta por quase dois anos. Agora que os episódios de retorno da febre aftosa no País foram superados, Pratini acredita não haver mais razões para as restrições impostas pelos EUA. Antes das reuniões nos Estados Unidos, Pratini de Moraes irá a Bruxelas, na Bélgica, onde tem encontro agendado com o comissário de Saúde e Defesa do Consumidor da União Européia, David Byrne. Na ocasião, o ministro deverá tratar das barreiras européias impostas aos produtos brasileiros, como frango e açúcar, entre outros. No caso do frango, os países europeus estão questionando as exportações brasileiras, alegando que as vendas de frango em pedaços, como peito salgado (cuja tarifa de importação é menor) estão prejudicando o mercado local, segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef), Claúdio Martins. O ministro também irá explicar que o uso de antibióticos em animais destinados ao consumo humano está proibido no Brasil, ao contestar uma outra barreira européia a esse setor. Em relação ao açúcar, o governo está reclamando das subvenções concedidas aos produtores pela União Européia. Os produtores europeus recebem o dobro do valor pago pela tonelada do produto no mercado internacional. Além disso, importam açúcar em bruto de suas ex-colônias no Caribe, na África e no Pacífico. Esse produto é reprocessado e exportado para os países europeus, sem contabilizar os subsídios envolvidos nessa operação. O Ministério da Agricultura e o Itamaraty, junto com o setor privado, já estão preparando a documentação que irá questionar a política de subsídios da EU ao açúcar na Organização Mundial do Comércio (OMC). O retorno do ministro Pratini de Moraes ao Brasil está previsto para a sexta-feira da semana que vem.

Agencia Estado,

10 de maio de 2002 | 19h26

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