Kenji Honda/Estadão
Kenji Honda/Estadão

'Prato feito' fica até 5,49% mais caro em janeiro em São Paulo

Estudo da Fipe aponta que variação de 5,49% em janeiro no preço do 'prato feito' ficou bem acima da taxa média de inflação captada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que foi de 1,62%

Flavio Leonel, Agência Estado

04 Fevereiro 2015 | 17h39

Estudo especial da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) encaminhado com exclusividade ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, mostrou que os pratos feitos, os tradicionais "PFs", tiveram alta de até 5,49% em janeiro na cidade de São Paulo. Tal variação, representada pelo prato contrafilé com fritas, ficou bem acima da taxa média de inflação captada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), de 1,62% no período e que, segundo divulgação feita nesta terça-feira (3) pelo instituto, representou a maior inflação mensal para a capital paulista desde janeiro de 2003, quando o IPC foi de 2,19%.

Os técnicos da Fipe montaram seis "PFs" tradicionais para cada um dos seis primeiros dias da semana e foram tomados como base não os preços dos restaurantes, mas de alimentos consumidos no domicílio. Para a segunda-feira, o prato escolhido foi o contrafilé com fritas. Para terça, o filé de frango à parmegiana. A feijoada e a macarronada foram escolhidas para representar a quarta-feira e a quinta-feira, respectivamente. Para a sexta, o prato sugerido foi o filé de pescada branca com purê de legumes e, para o sábado, o churrasco com vinagrete.

O peso médio dos pratos ficou em torno de 460 gramas. Conforme destacaram o coordenador do IPC, André Chagas, e o gerente técnico de Pesquisas do indicador, Moacir Mokem Yabiku, a despeito de existirem pessoas que comem mais ou menos do que essa quantidade a Fipe optou por um nível médio que retrata uma "alimentação saudável". "Se o aumento na quantidade do prato consumida for proporcional, pode até mexer no preço, mas não na variação dos itens", disse Chagas.

Líder do ranking de altas dos pratos feitos imaginados pela Fipe, o contrafilé com fritas acumulou variação positiva de 14,99% nos últimos 12 meses até janeiro. Tal variação ficou também muito acima da taxa média de inflação captada pelo IPC, de 5,91%. Com porções específicas para cada ingrediente, o instituto montou o prato com contrafilé, arroz, feijão carioca, batata, sal, alho, cebola e óleo de soja.

A segunda maior alta entre os "PFs" da semana foi a do filé de pescada branca com purê e legumes. O prato apresentou uma alta média de 2,75% no mês passado e, no acumulado de 12 meses até janeiro, mostrou elevação de 13,42%. Pela montagem da Fipe, foram listados os seguintes itens: filé de pescada, batata, alho, ovo, farinha de mandioca, sal, óleo de soja, leite integral, margarina, queijo ralado, cenoura, vagem, brócolis, couve-flor e cebola.

Na terceira posição do ranking de altas dos pratos da semana ficou a feijoada, com uma variação positiva de 1,53% que gerou uma alta acumulada em 12 meses de 19,22%. Com porções específicas para cada ingrediente, a Fipe montou o prato com carne seca, lombo suíno, costelinha suína, linguiça calabresa, pé salgado, orelha salgada, paio, arroz, feijão preto, couve manteiga, farofa, bacon, sal, alho, cebola, óleo de soja, coentro, ovo e margarina.

O churrasco com vinagrete foi o quarto prato com alta mais forte, de 1,13%, que gerou aumento acumulado em 12 meses de 11,93%. Na montagem feita pela Fipe, os itens usados foram picanha, linguiça, fraldinha, costela bovina, frango, salsicha, tomate, cebola, salsa, vinagre, azeite, sal e pão francês.

Na quinta posição, a macarronada teve uma elevação de 0,88% em janeiro, reajuste que levou a uma variação acumulada em 12 meses de 10,85%. Entre os itens para a montagem do prato, o instituto listou a carne moída de acém, espaguete, molho de tomate, queijo ralado, cebola, alho, sal, óleo de soja, cenoura, vagem, brócolis e couve-flor.

Único representante dos "PFs" montados pela Fipe a apresentar queda em janeiro, o filé de frango à parmegiana apresentou variação negativa de 0,61% no período. No acumulado em 12 meses, com alta de 4,17%, foi também o único a ficar abaixo da inflação média do período, no âmbito do IPC. A Fipe montou o prato com filé de frango, arroz, molho de tomate, queijo mozarela, tomate, sal, alho, cebola, óleo de soja, ovo, farinha de mandioca, azeite e orégano.

No IPC-Fipe divulgado nesta terça-feira pelo instituto, o grupo Alimentação foi um dos que mais pressionaram a inflação de janeiro na capital paulista. O conjunto de preços avançou 1,57% (ante 0,47% de dezembro) e teve importante participação de 0,36 ponto porcentual na taxa geral. Só perdeu para o grupo Transportes, que apresentou alta de 4,15% (ante elevação de 0,31% em dezembro) e contribuiu com 0,72 ponto porcentual de todo o IPC de 1,62%.

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