'Prato feito', o mais popular do Brasil, ficou mais barato

Ingredientes mais populares da mesa do brasileiro estão custando menos nas últimas pesquisas de preços. Falta ver se a queda será repassada nos cardápios dos restaurantes

Flávio Leonel, Agência Estado

12 de agosto de 2014 | 16h11

SÃO PAULO - O comportamento dos preços de itens que formam o chamado 'prato feito', ou 'PF', vem sendo importante para aliviar a inflação na capital paulista. A constatação está no mais recente levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), por meio do Índice de Preços ao Consumidor (IPC).

Na pesquisa referente ao início de agosto, os movimentos de deflação no arroz, feijão, carne bovina, alface, tomate e batata figuraram no ranking das principais pressões de baixa do indicador.

Segundo a Fipe, o IPC da primeira quadrissemana do mês (últimos 30 dias terminados em 7 de agosto) registrou inflação de 0,21%, o que representou aceleração em comparação com o resultado de julho, quando o índice subiu 0,16%.

Nesta pesquisa inicial de agosto, o preço da batata, por exemplo, caiu 24,37% (em comparação ao recuo de 25,33% do fim do mês passado) e liderou o ranking de pressões de baixa, gerando sozinho um alívio de 0,07 ponto porcentual para a taxa geral.

Quanto ao arroz, o item apresentou declínio de 5,26% na primeira quadrissemana de agosto ante variação negativa de 0,42% do encerramento de julho. O feijão, por sua vez, teve queda de 7,45% ante baixa de 5,40%.

Para o coordenador do IPC, André Chagas, tanto o arroz como o feijão devem seguir ajudando a reduzir a inflação em São Paulo, conforme as pesquisas de ponta da Fipe que trazem um panorama mais recente de preços.

Tudo porque esses levantamentos vêm mostrando esses itens com baixas entre 12% e 13% que tendem a ser incorporadas no IPC. "A tendência para as próximas quadrissemanas é de manutenção de queda nestes itens", comentou.

Em relação à carne bovina, que já dá sinais de alta no atacado, o IPC-Fipe captou uma deflação de 1,82% na primeira quadrissemana de agosto ante declínio de 1,09% no fim de julho. A queda apurada no começo do mês foi muito mais intensa que a esperada por Chagas, que era de 0,80%.

Quanto à alface, o item apresentou baixa de 7,28% na primeira leitura de agosto ante recuo de 7,02% no encerramento de julho. O tomate, por sua vez, apresentou baixa de 13,79% ante 15,99%.

De acordo com Chagas, apesar de uma expectativa de recuperação nos preços atualmente em queda dos itens in natura, a parte de semielaborados, que contém o arroz, o feijão e a carne, tende a permanecer no terreno de baixas. Na primeira quadrissemana do mês, o subgrupo Produtos In Natura caiu 3,15% contra declínio anterior de 4,43%. O subgrupo Semielaborados recuou 1,40% ante variação negativa de 0,61%.

O coordenador do IPC também chamou a atenção para o comportamento do subgrupo Industrializados, que possui peso importante no indicador da Fipe, e mostrou leve alta de 0,24% na primeira leitura de agosto. No fim de julho, haviam avançado 0,39%. "A tendência é de desaceleração", disse.

Para o grupo Alimentação como um todo, o instituto prevê que o conjunto de preços ainda caia 0,34% na segunda quadrissemana e 0,03% na terceira medição do mês. Para o fechamento de agosto, a projeção do grupo foi revista para baixo, de uma alta de 0,21% para uma leve variação positiva de 0,07%.

Na primeira leitura de agosto, a Alimentação mostrou uma intensificação da deflação, já que ela passou de 0,58%, no fechamento de julho, para 0,67% no começo de agosto e respondeu sozinha por um alívio de 0,15 ponto porcentual (72,56%) de todo do resultado geral do IPC. 

Tal comportamento foi a principal surpresa da Fipe no período, já que o instituto esperava uma baixa de 0,40% para o grupo. Nesta terça-feira, a Fipe revisou a expectativa para a taxa geral do IPC de agosto, de 0,54% para 0,49%, justamente por conta do número inesperado da Alimentação.

Tudo o que sabemos sobre:
InflaçãoPreçosFipe

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.