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Prazo maior de financiamento anima empresas

Para executivos, mais pobres serão os principais beneficiados

Marcelo Rehder e Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2030 | 00h00

O alongamento do prazo de pagamento para até 30 anos e as condições mais favoráveis nos empréstimos para a compra da casa própria, anunciados terça-feira pela Caixa Econômica Federal, deverão acelerar o processo de popularização dos empreendimentos imobiliários.Segundo Carlos Kapudjian, diretor da Lopes Consultoria e Intermediadora de Imóveis, as novas opções de financiamento vão favorecer lançamentos em bairros de periferia e cidades do interior até então sem potencial financeiro para viabilizar esse tipo de empreendimento.''''Com a ampliação do prazo e redução dos juros, o valor das prestações vai cair, o que permite oferta maior de imóveis para uma faixa da população de baixa renda ainda pouco atendida pelo mercado'''', diz Kapudjian.Além disso, segundo ele, nos bairros de classe média, as construtoras e incorporadoras devem passar a fazer lançamentos de apartamentos um pouco maiores em relação aos oferecidos hoje.''''A prestação poderá ficar até mesmo menor que o valor de aluguel, o que é um incentivo muito forte para a compra do imóvel próprio'''', diz. ''''Para a maioria das famílias , pagar alugar é dinheiro jogado fora, enquanto o financiamento da casa própria representa investimento no patrimônio pessoal.''''O diretor do departamento de empréstimos e financiamentos do Bradesco, Josué Augusto Pancini, concorda com Kapudjian. Segundo ele, o alongamento dos prazos vai aumentar o acesso da população ao crédito imobiliário. Numa operação de R$ 80 mil, exemplifica ele, a prestação de R$ 1.013,21, durante 15 anos, cai para R$ 894,40, em 25 anos. A renda necessária para fazer o empréstimo diminui, de R$ 3.294,03 para R$ 2,898,00.Ele afirma que o Bradesco aumentou o prazo do financiamento imobiliário de 20 para 25 anos em julho. Em meados do ano passado, a instituição já havia elevado de 15 anos para 20 anos o horizonte do empréstimo, cujas taxas de juros prefixadas variam entre 12,5% e 14% ao ano. As taxas pós-fixadas ficam entre 8% e 12% mais TR.Pancini afirma que cerca de 40% das operações do banco entre janeiro e agosto foram feitas com prazos de 20 anos. Segundo ele, a carteira de crédito imobiliário do Bradesco cresceu 70% no primeiro semestre comparada a igual período de 2006. ''''Para bancar uma taxa prefixada de 25 anos, é preciso apostar na estabilidade econômica do País'''', salienta.''''O que estamos assistindo é uma competição saudável entre os bancos'''', observa João Claudio Robusti, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP). ''''Não tenho motivo para duvidar que bancos privados vão ampliar os prazos para 30 anos em breve.''''No banco ABN Amro Real, os prazos de financiamento serão estendidos de 20 para 25 anos nas próximas semanas. O superintendente de crédito imobiliário da instituição, Antônio Barbosa, diz que a tendência é que haja aumento dos valores tomados pelos consumidores.Isso já foi verificado no alongamento dos prazos de empréstimo do banco de 15 para 20 anos no fim de 2006, explica ele. ''''Com o aumento do tempo e manutenção das taxas de juros, as parcelas passam a caber no bolso do consumidor'''', avalia o executivo, completando que entre 40% e 50% das operações são feitas pelo prazo máximo de 20 anos. A exemplo do Bradesco, a carteira do banco tem crescido a uma taxa de 70% ao ano.Apesar de ser uma boa notícia, o alongamento dos prazos de financiamento exige cuidado, afirma o vice-presidente da Associação Brasileira dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira. Isso porque, diz ele, as taxas de juros no Brasil ainda são muito elevadas. ''''É importante destacar que o benefício do prazo maior e da parcela menor vai representar ao consumidor um custo final maior por causa do tamanho da taxa de juros'''', diz ele.

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