Prazo médio de crédito bate recorde

Em abril, pela primeira vez desde junho de 2000, prazo médio dessas[br]operações chega a 404 dias corridos

Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2010 | 00h00

Embalado pelo elevado nível de confiança de consumidores e empresários brasileiros, o prazo médio das operações de crédito com recursos livres no sistema bancário atingiu em abril a marca recorde de 404 dias corridos (pouco mais de um ano e um mês), segundo informou o Banco Central. É a primeira vez desde o início da série (em junho de 2000) que o prazo médio do crédito livre rompe a marca de 400 dias - em março, era de 399 dias.

O crédito livre é aquele que os bancos podem ofertar conforme conveniência, diferentemente do crédito direcionado, que só pode ser ofertado para modalidades definidas na legislação.

O prazo médio das operações com pessoa física também atingiu nível recorde em abril, segundo o BC: 538 dias corridos. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, a alta no prazo médio das operações de crédito livre tem sido puxada principalmente pelo financiamento imobiliário.

Essa é uma das modalidades de crédito que crescem mais aceleradamente no Brasil e, além de naturalmente ter prazo mais longo, também tem está alongando os prazos. Em abril, essas operações para pessoa física tiveram o nível recorde de 3.578 dias (9,8 anos), ante 3.537 dias em março.

Expansão. O vice-presidente de Finanças da Caixa Econômica Federal, Márcio Percival, afirmou que a tendência de longo prazo do crédito imobiliário para o sistema financeiro como um todo é de expansão de volumes e também de prazo médio.

Segundo ele, para se ter uma ideia, em 2007 o prazo médio dos financiamentos habitacionais da Caixa era de 200 meses (16,6 anos) e em 2010 já está em 281 meses (mais de 23,4 anos) Outro segmento que teve alongamento de prazos foi o de financiamento de veículos, que também atingiu nível recorde em abril: 623 dias corridos.

Para a economista do Grupo Santander Brasil, Luiza Rodrigues, o alongamento dos prazos nessa modalidade tem hoje mais peso do que o segmento imobiliário na elevação do prazo médio geral. Isso porque os empréstimos para compra de veículos representam mais de 20% do total de operações de pessoa física, enquanto o imobiliário ainda é muito pequeno, com cerca de 1%.

"A tendência do prazo médio do crédito no Brasil é de continuar batendo recordes. É uma tendência de longo prazo que reflete a maior confiança estrutural na economia, tanto de empresários como de pessoas físicas", afirmou Luiza.

Juros em alta. Os dados do Banco Central divulgados ontem mostraram que o processo de elevação da taxa básica de juros (Selic) já começa a impactar o custo do crédito para o consumidor final, ainda que discretamente. A taxa média de juros do crédito livre subiu 0,1 ponto porcentual, para 34,3% ao ano.

Segundo Altamir Lopes, do BC, a alta dos juros cobrados do consumidor foi contida pela queda nos spreads bancários - a diferença entre quanto os bancos pagam para captar recursos e quanto cobram para emprestar.

O spread médio geral em abril foi o segundo mais baixo da série, com 23,8 pontos porcentuais. No segmento pessoa física, foi o menor da história (29,5 pontos). Segundo Altamir, a queda dos spreads está relacionada à tendência de queda na inadimplência, que em abril, na média, chegou a 5% (menos 0,1 ponto ante março) e, nas pessoas físicas, atingiu o nível mais baixo desde dezembro de 2005: 6,8%.

Recordes

404 dias

corridos é o prazo médio

das operações de crédito com recursos livres no mês de abril

538 dias

corridos é o prazo médio das operações de crédito com

pessoas físicas em abril

281 meses

ou 23,4 anos é o prazo médio dos financiamentos habitacionais em 2010; em 2007, esse prazo era

de 200 meses (16,6 anos)

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