Pré-sal exigirá investimento de US$ 93 bilhões

Empresas privadas devem participar com a Petrobrás do esforço para desenvolver a produção das novas reservas

SERGIO TORRES / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h58

A Petrobrás planeja investir US$ 69,6 bilhões nos próximos quatro anos no desenvolvimento da produção e na exploração de óleo e gás da camada pré-sal. A estimativa do governo federal é de que, no período, sejam investidos no pré-sal US$ 93 bilhões, com empresas privadas bancando a diferença entre esse total e os gastos da estatal brasileira de petróleo.

"A imensa riqueza do pré-sal", expressão cunhada pela presidente Dilma Rousseff em sua coluna semanal Conversa com a Presidenta, exige da Petrobrás e do governo um planejamento bem estruturado para que haja dinheiro para o financiamento da exploração e da produção.

Em pronunciamento na segunda-feira, em São Paulo, a presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, disse que os recursos para o pré-sal estão garantidos. "Do total de US$ 69,6 bilhões, já está praticamente tudo contratado", disse ela.

As recente descobertas no pré-sal, as reservas provadas e os volumes potencialmente recuperáveis fizeram as reservas da Petrobrás saltarem de 15,7 bilhões de barris de óleo equivalente para 31,5 bilhões nos últimos cinco anos.

Esforço. "Nós estamos fazendo com que a Petrobrás dobre de tamanho", afirmou Graça Foster. "Nossas reservas já foram multiplicadas por dois e, em relação a 2012, a produção de petróleo e a oferta de gás natural até 2020 vão dobrar", garantiu a presidente da Petrobrás.

Empecilhos importantes se apresentam aos projetos oficiais em torno do pré-sal. Um dos principais é o impacto bilionário nas finanças da Petrobrás pelas perdas de receita decorrentes, entre outros fatores, da ineficiência produtiva na Bacia de Campos e da defasagem entre os preços dos combustíveis praticados no Brasil e de compra no exterior.

De janeiro a setembro deste ano, as perdas da Petrobrás com a queda da produtividade dos blocos de Campos (litoral norte do Estado do Rio e sul do Espírito Santo)podem chegar a R$ 7 bilhões.

Da bacia são extraídos 80% do petróleo da Petrobrás. Os últimos dados divulgados pela petroleira, referentes ao período de janeiro a setembro de 2012, são os piores registrados pela Bacia de Campos desde 2007.

A queda na eficiência de Campos coincide com a expansão do consumo de combustíveis, motivada pela ascensão social de camadas populacionais menos abastadas e pelas facilidades de compra de veículos, com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Para evitar o desabastecimento, a Petrobrás tem de importar gasolina, em um momento em que a cotação do dólar em relação ao real supera os R$ 2. Como o governo federal não autoriza o reajuste no preço dos combustíveis, a companhia vê seu prejuízo aumentar de maneira cada vez mais acelerada.

Os investimentos necessários à exploração do pré-sal, a se confirmar a estimativa de 100 bilhões de barris de reserva, exigirão o gasto de US$ 1,2 trilhão, conforme cálculo recente dos economistas Walter de Vitto e Richard Lee Hochstetler. O que representa US$ 30 bilhões por ano até a metade do século.

Financiamentos. A Petrobrás conta com recursos próprios para os gastos, além de linhas de financiamento à disposição das empresas de petróleo e companhias fornecedoras, de órgãos governamentais, como o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Desde 1997, quando houve a abertura da indústria, o financiamento do setor de petróleo nacional ocorre por meio de mecanismos variados. Entre eles, créditos liberados por instituições financeiras privadas e públicas nacionais e estrangeiras, títulos de dívida interna e externa e securitização de recebíveis.

A cadeia de empresas fornecedoras e subfornecedores de bens e serviços para as atividades do pré-sal pode se valer, para financiamento, do Programa Progredir, instituído pela Petrobrás. O Progredir tem por meta facilitar o acesso ao crédito a custo reduzido. No fim do primeiro semestre deste ano já tinham sido distribuídos cerca de R$ 2 bilhões em financiamentos, referentes a 416 operações em 19 Estados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.