Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Pré-sal provocará 'guerra danada' no Congresso, diz senador

Para Gerson Camata (PMDB-ES), questão vai superar discussão das reformas política e tributária após as eleições

Cida Fontes, de O Estado de S. Paulo,

14 de agosto de 2008 | 18h53

A proposta do governo de criar uma empresa estatal para gerir a exploração de petróleo na camada pré-sal dominará os debates no Congresso depois das eleições, superando a discussão das reformas política e tributária em tramitação na Câmara. Esta é a previsão do senador Gerson Camata (PMDB-ES), que acompanhou de perto a discussão do tema na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). "Vai ser uma guerra danada", disse. De um lado, estarão a Petrobras e empresas privadas, que não querem mexer na lei e, de outro, a pressão dos governadores e parlamentares dos Estados produtores de petróleo, que temem perder os royalties, como os governadores do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, que já se manifestaram nesse sentido. Veja também:Deus não nos deu pré-sal para continuar burrice, diz LulaEntenda as discussões sobre as mudanças na Lei do Petróleo País pode ter o terceiro maior campo de petróleo do mundoA maior jazida de petróleo do País Uma evidência de que a idéia de criação da estatal já estaria avançada no governo é a viagem que o presidente Lula fará no dia 2 ao Espírito Santo para participar da primeira produção oficial do pré-sal. "É um petróleo leve que já começou a ser extraído. Para levar o presidente até lá é porque a Petrobras tem certeza de que é uma produção expressiva e de peso para o panorama econômico", analisou Camata, que é favorável à criação da nova empresa. Com a criação da nova estatal, os lucros obtidos com a exploração na camada do pré-sal poderão ser investidos, segundo Camata, em programas estruturais, em vez de ficarem apenas nas mãos da Petrobras e de empresas privadas. Como não haveria empresas privadas na exploração do pré-sal, as novas descobertas ficariam totalmente com a União. "Ou seja, tudo fica como patrimônio do povo e deixa de ser da Petrobrás, ou da Shell ou da Esso", prevê Camata. A líder do PT e do bloco governista, senadora Ideli Salvatti (SC), chama atenção para o fato de a estatal assumir a responsabilidade na distribuição dos recursos resultantes da exploração. Para a senadora, a criação da nova empresa seria legítima no caso de ser impossível a exploração do pré-sal pela Petrobrás. Ideli defende a criação de uma empresa enxuta que não deve ser operacional mas distribuir os recursos. "Essa é a cereja do bolo e estamos falando de trilhões, não de milhões", afirmou. Ela concorda com Gerson Camata na avaliação de que a guerra dos royalties certamente será retomada. Segundo Ideli, só de autoria de petistas, quatro projetos sobre o assunjto estão tramitando no Senado, e dezenas na Câmara. O receio dos parlamentares é o de que, agora, os Estados limítrofes aos produtores de petróleo queiram "repicar" os royalties para também se beneficiar. "Como disse um deputado norueguês: para a economia, o petróleo é ouro negro e, para os sociólogos, é a urina do capeta", brincou o senador. A criação da estatal foi defendida há cerca de três meses pelo diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, em audiência na CAE. Depois, foi a vez do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ressuscitar a idéia, fazendo uma espécie de ensaio para identificar as reações, até que Lula deu a palavra final.  FHC O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse nesta quinta-feira, 14, que é cedo para comentar sobre a possibilidade de criação de uma nova empresa estatal, pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para gerir os contratos de exploração de petróleo no pré-sal, na bacia de Santos. "Falar sobre isso agora seria botar o carro na frente dos bois", afirmou, depois de se reunir com o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, no centro da Capital. "Precisamos ver com mais vagar o significado de tudo isso. Ainda não tenho uma posição tomada."  (com Carolina Freitas, da Agência Estado)

Tudo o que sabemos sobre:
Pré-SalPetróleo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.