Pré-sal volta a ficar sob os holofotes

O gigantismo do pré-sal, anunciado em 2007 como mudança de paradigma na exploração e produção de petróleo no Brasil, chegou a ser colocado sob suspeita nos cinco anos de suspensão de novas licitações de áreas de exploração no País. Seria realmente factível a hipótese de multiplicar em mais de sete vezes as reservas de petróleo nacionais? Na época da divulgação, o então presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, chegou a falar na possibilidade de a faixa de 800 quilômetros que margeia a costa, do Espírito Santo a Santa Catarina, conter de 70 bilhões a 100 bilhões de óleo. A maior parte a mais de 7 mil metros abaixo do nível do mar.

ANÁLISE: Irany Tereza, JORNALISTA, ANÁLISE: Irany Tereza, JORNALISTA, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2013 | 02h05

Uma das principais justificativas usadas para mudar o modelo de concessão nessas áreas era de que, além de abundantes, os reservatórios ofereciam pouco risco geológico para exploração. No setor de petróleo, o risco faz parte do negócio. É considerada normal uma taxa de sucesso em torno de 30% nos trabalhos de perfuração.

Em alguns momentos, a Petrobrás chegou a falar em quase 100% de taxa de sucesso no pré-sal, hoje calibrada para 84%, como disse a presidente Graça Foster. Mas o risco existe. No quarto trimestre de 2010, depois de perfurar três poços na região do pré-sal, a Exxon Mobil teve de registrar o custo do insucesso dos poços em águas ultraprofundas. A multinacional, porém, já declarou não ter desistido do pré-sal.

A inclusão da área de Libra na estreia dos leilões do pré-sal e a antecipação da data da licitação renova as apostas no gigantismo das reservas e coloca novamente sob os holofotes a fronteira petrolífera brasileira. Certamente vai atrair as maiores companhias mundiais do setor.

Mas as novas perspectivas para Libra - apresentadas como a grande novidade da sísmica de terceira dimensão - não são tão novas assim. Em outubro de 2010, exatos dois anos antes da data prevista para o leilão, o 'Estado' obteve o resultado de relatório da certificadora internacional Gaffney Cline & Associates (GCA), que avaliou para a ANP as reservas do pré-sal, inclusive dos blocos usados na cessão onerosa, e já dava conta de que Libra pode ter de 8 bilhões a 12 bilhões de barris. Na época, a informação não foi confirmada pela ANP.

A área de Libra está próxima dos blocos BS-4, operado pela Shell, e do BM-S-45, operado pela Petrobrás em parceria com a Shell. Num horizonte estimado entre 2020 e 2030, será a principal produtora do País, desbancando a Bacia de Campos, que hoje produz mais de 80% do petróleo brasileiro.

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