'Precisamos da contrapartida do setor privado', diz Gleisi

Depois de duas dezenas de pacotes de medidas para estimular a economia, o governo Dilma Rousseff não perdeu o fôlego: o ritmo de atuação vai continuar acelerado, de forma a garantir mais crescimento e menos inflação. De acordo com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, o governo vai continuar usando todos os instrumentos para impulsionar os investimentos e debelar a alta dos preços. Mas, segundo Gleisi, o governo não pode ficar sozinho: "precisamos da contrapartida do setor privado".

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2013 | 02h02

Em entrevista exclusiva ao Estado, concedida em seu gabinete no Palácio do Planalto, a ministra da Casa Civil parafraseou o cientista político Wanderley dos Santos ao caracterizar a atuação do governo e defender o que muitos chamam de hiperativismo: "Vivemos revoluções continuadas".

"Não há setor hoje no País que não esteja desafiado a se transformar. É óbvio que isso causa desconforto, mas para o momento em que nós vivemos, as diversas ações do governo são necessárias. Precisamos dar resposta aos desafios do crescimento, a todos que surgem", disse Gleisi, uma das principais formuladoras das diversas reformas anunciadas pelo governo.

O Estado contabilizou 19 pacotes lançados pelo governo federal na gestão Dilma, sendo o Plano Brasil Maior, sua política industrial de agosto de 2011, o primeiro. Amanhã, o governo vai lançar seu 20.º pacote de medidas, desta vez com foco no setor de mineração.

"O governo tem feito todos os esforços para proteger a renda das famílias e a produção da indústria neste momento de crise, e vamos continuar tomando todas as medidas necessárias. Mas precisamos que os empresários correspondam ao governo, que de fato façam os investimentos", disse.

Concessões. Segundo a ministra-chefe da Casa Civil, o ritmo dos investimentos no País vai aumentar fortemente a partir do segundo semestre. A grande aposta do Palácio do Planalto reside nas concessões de rodovias, ferrovias, portos, e aeroportos. "Vamos começar com as licitações a partir de julho."

O governo vai editar ainda neste mês a primeira relação de anúncio público dos terminais portuários de uso privativo, afirmou a ministra. Em julho, serão publicados estudos técnicos sobre o arrendamento junto às Companhias Docas de Santos e do Pará. "Também em rodovias estamos em ritmo acelerado", disse Gleisi.

Questionada sobre o fato de que o ativismo econômico do governo ainda não resultou em um avanço forte do Produto Interno Bruto (PIB), a ministra-chefe da Casa Civil apontou para a explosão da crise mundial, tendo a União Europeia na linha de frente.

"Não estamos sozinhos no mundo. Todos os nossos parceiros comerciais, Argentina, China, EUA, e União Europeia tiveram problemas, cada um a sua maneira. É impossível manter o mesmo ritmo de crescimento quando alguns parceiros estão quebrados", disse Gleisi.

Há exatos dois anos no cargo de "Dilma da Dilma", a comandante da Casa Civil afirmou que, depois de todas as medidas dos últimos meses, a hora do crescimento acelerado está para chegar. Senadora pelo PT do Paraná, Gleisi chegou ao Palácio do Planalto em junho de 2011, depois que Antônio Palocci, seu antecessor, caiu por conta de denúncias.

Segundo ela, a conjuntura internacional do período Dilma não permitiu ao governo ter uma atuação mais suave. "Estamos adequando o País às necessidades. Se tivéssemos vivendo uma conjuntura internacional mais fácil poderíamos até agir de forma diferente, mas não é o caso. Imagina se, em 2008, o presidente Lula tivesse feito como os países ricos fizeram: cortado gastos e elevado impostos. Nós estaríamos quebrados agora", disse a ministra. / J.V.

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