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'Precisamos de capital de giro', diz presidente da aérea Azul

John Rodgerson diz nunca ter visto uma redução semelhante na demanda e pede mais ajuda do governo federal 

Entrevista com

John Rodgerson

Luciana Dyniewicz, O Estado de S. Paulo

18 de março de 2020 | 20h00

Após tomar conhecimento das medidas adotadas pelo Ministério da Infraestrutura para ajudar o setor aéreo, o presidente da Azul, John Rodgerson, reivindicou mais do governo. "O que mais precisamos é capital de giro", disse Rodgerson ao Estado.

Nesta quarta-feira, 18, a pasta informou que mudará as regras de reembolso de passageiros e postergará a cobrança de tarifas de navegação aérea, numa tentativa de aliviar a crise no setor provocada pela pandemia do novo coronavírus. Em nota divulgada em seu site, o ministério afirmou ainda que o governo já "disponibiliza linhas de financiamento de capital de giro para essas empresas a serem concedidas pelo Banco do Brasil, Caixa e BNDES", sem dar mais detalhes.

Rodgerson, porém, afirmou que é preciso saber quais são essas linhas. "Tem de se olhar o que está sendo feito em outros países. Os Estados Unidos estão dando US$ 50 bilhões para as empresas porque sabem que nosso setor é mais impactado que outros", acrescentou. 

O executivo disse também que a empresa cancelará mais voos e destacou estar preocupado com o desemprego que virá nos próximos meses. "Muitas pessoas vão perder o emprego ao longo do caminho. Para as pessoas voltarem a voar, tem de ter emprego." A seguir, trechos da entrevista.

As medidas anunciadas pelo governo para ajudar o setor aéreo são suficientes?

Estou grato pelo que o ministro Tarcísio (Gomes de Freitas, da Infraestrutura) tem feito, mas precisamos de mais. O que mais precisamos é capital de giro. Somos feitos pra voar. Não podemos ter dois terços da frota no chão. Temos muitos custos fixos. Os próximos 90 dias vão ser difíceis. 

O que mais o setor quer do governo? 

É preciso olhar o que está sendo feito em outros países. Os Estados Unidos estão dando US$ 50 bilhões para as empresas porque sabem que nosso setor é mais impactado que outros. Tem uma cadeia que pode sofrer com a crise do setor. Quem vai comprar aeronave da Embraer se a Azul não voar? O que está acontecendo é 10, 20 vezes pior para o setor do que o 11 de setembro. Precisamos de capital de giro para passar esses meses, porque acredito que isso vai passar. Não podemos fechar para sempre. Precisamos voltar a ter uma economia. Para cuidar das pessoas que vão ficar doentes nessa crise, temos de ter pessoas produzindo para pagar os hospitais. 

O setor demandava um prazo maior para recolher impostos. Como ficou essa negociação com o governo?

A gente não está negociando. Estamos dizendo qual é a situação e como é possível salvar a aviação. Se conceder capital de giro, o governo pode ter retorno com juros. Não estará dando dinheiro. Acho que todo mundo está batendo na porta do governo e pedindo algo. Obviamente a resposta inicial do governo vai ser não, mas temos de ter visão para o que está sendo feito mundialmente. Nossa indústria deve ser protegida nesse momento porque, depois, vamos precisar dela para recomeçar a economia. 

A Azul foi a empresa que menos reduziu sua capacidade até agora, um corte entre 35% e 50% a partir de abril. A empresa vai cortar mais voos?

Vai ter de cortar muito mais. Fomos os primeiros a anunciar redução, mas todo dia a situação piora. Então vai ter muito mais corte nosso, porque não tem mais demanda. 

Qual foi a queda de demanda na empresa?

Foi profunda. Nunca vi nada igual. Mas não posso dizer por ser uma empresa de capital aberto. 

Quanto tempo a empresa aguenta com essa queda de demanda e sem capital de giro?

Também não posso dizer, mas entramos nessa crise como uma das aéreas mais rentáveis, voando para um monte de cidades e com uma marca reconhecida. Isso quer dizer que temos uma razão para existir. Sempre fomos bem gerenciados. Vamos passar por essa, mas não sei quanto tempo a crise vai levar.

Depois a pandemia for controlada e os voos retomados, quanto tempo vai levar para a empresa se normalizar?

O meu medo é o nível de desemprego depois disso. Temos de tomar muito cuidado, porque muitas pessoas vão perder o emprego ao longo do caminho. Para as pessoas voltarem a voar, tem de ter emprego. Então deve levar seis meses, um ano, para começarmos a voltar ao que éramos antes.

O que o consumidor poderá esperar para os preços?

Quem conduz os preços é a demanda. Vamos fazer muitas promoções para incentivar as pessoas a voltarem a voar.

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