AFP PHOTO/NELSON ALMEIDA
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Precisamos recuperar a produtividade, afirma ministro da Fazenda

Em almoço com empresários, Levy defendeu o ajuste fiscal e sua importância para o Brasil manter o grau de investimento e retomar o crescimento

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS E ÁLVARO CAMPOS, Estadão Conteúdo

30 de março de 2015 | 15h13


Em encontro com empresários nesta segunda-feira, 30, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, defendeu o ajuste fiscal e sua importância para que o Brasil mantenha seu grau de investimento. Levy disse também que é preciso garantir a segurança e a produtividade da economia brasileira. 

Levy disse que tem consciência de que muita gente vai reclamar da disciplina fiscal com a qual o governo está se comprometendo. No entanto, segundo ele, a redução de gastos é forte, o governo tem que mostrar liderança e a presidente Dilma Rousseff tem bancado isso.

O ministro da Fazenda afirmou, durante fórum empresarial promovido pelo grupo Lide, que o cenário de recuperação econômica traçado pelo governo pode não se concretizar se houver retrocesso no ajuste fiscal e o Brasil perder o grau de investimento. Por outro lado, se o governo seguir com as medidas propostas, o País poderá entrar em nova fase de crescimento.

Para ele, a recente decisão da S&P de manter o rating do Brasil não foi um voto de confiança só nele, mas em todas as instituições brasileiras, "na capacidade do governo e do Congresso de se fazer o ajuste, que se tornou absolutamente imprescindível".

Levy disse que, como algumas medidas de ajuste precisam de certa velocidade, tem conversado bastante com o Congresso. Ele negou que haja algum mal-estar com os parlamentares e afirmou que "tem sido favorecido" por poder discutir questões importantes com as principais lideranças políticas. Mesmo assim, ele admitiu que, "no processo democrático a gente nem sempre consegue aquilo que quer".

"Se evitarmos os riscos, passaremos rapidamente pelo ajuste e teremos novas condições para um período de crescimento bastante significativo. O Brasil tem muitas coisas a seu favor", comentou Levy.

Produtividade. Depois de expor a necessidade do ajuste fiscal, ele apresentou os principais pontos da agenda de crescimento do governo. "Nós perdemos produtividade nos últimos anos e precisamos recuperá-la".

Levy ressaltou a importância de aumentar a inserção do País no comércio global e disse que as condições para isso começam a se tornar favoráveis, até mesmo em função da recente alta do dólar. "Isso vai ser um vetor cada vez mais importante, tanto para o setor automobilístico como para o de máquinas e também para as pequenas e médias indústrias, que vão aumentar as exportações".

Segundo ele, a rota de crescimento econômico já está desenhada e envolve bastante a questão dos investimentos. "Temos enorme vantagem de recursos naturais, agricultura, mas com a mudança de preços relativos no mundo vamos ter de competir em outras áreas. Se ajustarmos rápido, vamos poder retomar o crescimento em outras áreas, e isso é essencial para proteger os ganhos sociais dos últimos anos", comentou.

Para o ministro, o estímulo ao crescimento também virá da nova classe média, ou seja, do mercado de consumo doméstico. "Os mercados brasileiros hoje são completamente diferentes do que há 10, 15 anos. Queremos avançar nessa rota da inclusão, cada vez mais ampla, que envolve o bom desafio de desenvolver a classe média".

O titular da Fazenda também ressaltou a importância de medidas estruturais, que podem não trazer resultados imediatos, mas são essenciais. "Elas vão dar os sinais corretos para as pessoas investirem, sabendo que em cinco, dez anos a economia vai estar equilibrada".

Arrecadação. Levy mostrou preocupação com os dados mensais da arrecadação de impostos. "A arrecadação em fevereiro foi bastante fraca. Isso é preocupante, tanto em termos de produção e sobre o que significa para o resultado do Tesouro. Nós temos de estar atentos e vamos tomar as medidas de arrecadação que se mostrarem necessárias, é o que a Lei de Responsabilidade Fiscal manda".

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