Preço alto ainda pode ser contornado

Preço alto ainda pode ser contornado

Estudantes das áreas de economia e negócios compreendem melhor o problema, mas sabem que País teve dias piores

O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2015 | 03h00

Os jovens que estudam o funcionamento dos mercados, até pelo caminho escolhido, têm uma conhecimento maior das distorções criadas pela inflação – como o fato de ela prejudicar mais aos pobres do que os ricos. Mas até eles acham que a atual inflação, ainda que preocupante, pode ser contornada. 

O Estado conversou com universitários do Insper, centro de referência no ensino de economia e negócios. O calouro de Administração Gustavo Anacleto Silva, nasceu em primeiro julho de 1994, dia oficial do lançamento do Plano Real. “Tenho a exata idade da moeda”, diz. Silva apertou o cinto em casa, mas lembra que os efeitos da inflação não são homogêneos. “Eu sou classe média alta, tenho folga orçamentária. Quem sofre mais são as classes D e E, que vivem no limite.” Para Silva, o que há de mais preocupante é o debate político: “As pessoas se tornaram muito extremistas”. 

Ralf Toenjes, 23 anos, está descobrindo os efeitos da inflação no mundo empresarial. Graduado em direito e cursando Economia e Administração, atua em projetos de empreendedorismo do Insper que tiveram os preços dos insumos “catapultados”. O valor do produto final não foi alterado porque reduziram a margem de ganho, mas está sendo uma lição ver os efeitos da inflação nas empresas. “A alta era esperada, mas não tão rápida. Estamos negociando com fornecedores para contornar os aumentos.” 

A estudante de administração, Ana Carolina Bonilha, 18 anos, recomenda que se olhe para trás. “Vejo que a diferença de preço de alguns produtos, de um mês para outro, é absurda, mas pelo que li e contam meus pais, já foi pior: a diferença de preço era de um dia para outro.”

Regime de Metas. Heron do Carmo, professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e especialista em inflação, dá crédito à esta postura mais tranquila dos jovens em relação à atual inflação. “O salto que vemos vem da correção de tarifas públicas, que foram represados, e da seca, que elevou o preço de produtos agrícolas no período em que eles caem, mas a tendência para o próximo ano é que a inflação cairá pela metade”, diz.

Há também que se pensar numa perspectiva mais ampla. “A inflação não tem a mesma trajetória do passado e talvez isso seja um dos maiores méritos da política de metas: ela trava a inflação com uma série de mecanismos, inclusive via pressão popular, como vemos agora.”

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