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Preço arrefece, mas decisão sobre juros ganha viés político

Análise: José Paulo Kupfer

O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2013 | 02h12

A inflação, medida pelo IPCA, ultrapassou em março, como previsto, o teto da meta, na variação acumulada em 12 meses. Mas a alta de preços arrefeceu, em relação a fevereiro, ficou abaixo das expectativas e surgiram sinais de que a trajetória futura pode vir a ser menos estressada.

Sob diversos ângulos, é possível, sim, observar sinais de distensão. Embora ainda em alta em 12 meses, os núcleos de inflação - medidas que isolam variações sazonais de preços ou efeitos momentâneos de oscilações em grupos de produtos - recuaram, na comparação com fevereiro. O índice de difusão, que expressa a disseminação das altas, também retrocedeu, de 72,33%, em fevereiro, para 69,04%, em março, e desceu a 67,12%, quando se consideram apenas os aumentos pequenos até 0,05%.

Projeções já disponíveis, refeitas depois do resultado de março, apontam para a possibilidade de que a inflação em 12 meses se reacomode, a partir de abril abaixo do teto da meta, ainda que beirando a linha de escape ao longo do resto do ano. A maior parte das estimativas de mercado, em resumo, aponta para uma inflação em torno de 5,5%, no encerramento de 2013 - posição equidistante do centro e do teto da meta.

Se fosse, portanto, para levar apenas em conta as informações oferecidas pelo IPCA de março e pelas projeções de mercado, a cautela recentemente invocada pelo Banco Central para evitar prorrogar o início de um novo ciclo de altas na taxa básica de juros estaria, mais uma vez, justificada. Não só para a reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima semana, mas também para maio e, quem sabe, daí em diante.

Acontece que o elemento político - que, diga-se, nunca deixou de estar presente nas decisões do Copom - ganhou, nas últimas semanas, maior peso específico. Em meio a anedotas, nas redes sociais, tendo como mote a "inflação do tomate", uma sucessão de eventos recentes aguçou sensibilidades e despejou cargas adicionais de eletricidade no ambiente econômico.

Tendo como possível ponto de partida uma atrapalhada declaração da presidente Dilma Rousseff, na reunião dos Brics, na África do Sul, a credibilidade do Copom, para um mercado já incomodado com o que considera "leniência" do BC em relação aos níveis elevados de inflação, desceu a um ponto mínimo.

A decisão do Copom, na próxima semana, está, assim, marcada por um ainda mais nítido viés político. Por isso mesmo, a decisão por uma pequena alta da Selic já agora em abril pode ter ficado menos improvável do que a real marcha da inflação poderia fazer supor.

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