ALEX SILVA | ESTADAO CONTEUDO
ALEX SILVA | ESTADAO CONTEUDO

Preço baixo fez pequeno produtor mudar de lavoura

O produtor Jair Casoni, de 39 anos, sempre cultivou laranja em Matão (SP) até seis anos atrás. “Nasci e cresci vendo laranja. Parei porque não estava compensando, estava difícil de vender.”

Márcia de Chiara (texto) e Alex Silva (fotos), enviados especiais a Matão (SP), O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2017 | 05h00

Ele entregava a laranja para a Citrosuco. A última vez que vendeu para a processadora recebeu R$ 9 pela caixa ou R$ 0,22 por quilo de laranja. Essa receita, segundo ele, não cobria os custos. “Arranquei a laranja e plantei goiaba.”

A saída encontrada por Casoni foi a de muitos agricultores de várias cidades na região de Matão e Taquaritinga (SP), que no passado eram um polo da citricultura formado também por pequenos agricultores.

“Vinte anos atrás o carro-chefe da produção agrícola na região era a cana e a laranja. O plantio de goiaba existia na região, por causa da presença de empresas como a Cica, Etti e a Peixe, que processavam a fruta. Mas a participação era pequena em relação a laranja ”, afirma o presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga, Marco Antonio dos Santos.

Ele calcula que, no passado, a laranja ocupava 40% da área, a cana 50% e outras frutas, 10%. Hoje a cana continua forte, com metade da área, ao passo que a fatia da laranja encolheu para cerca de 10% e a goiaba atingiu uma participação de 20%, ao lado do limão com 12% e a manga com 8%. “Na região de Taquaritinga tem pouca laranja hoje e em Matão só os grandes produtores ficaram no negócio, como a Citrosuco e a Fazenda Cambuhy.”

Doenças. Uma conjugação negativa de fatores contribuiu para a mudança do perfil da região. Além dos preços baixos recebidos pelo citricultor, o avanço de pragas e doenças, como o greening e o amarelão, afetaram a produtividade dos pomares e desestabilizaram o negócio dos pequenos produtores de laranja.

Casoni, por exemplo, que seis anos atrás tinha comprado 15 hectares na região com 4 mil pés de laranja e 500 de goiaba, hoje não tem um só pé de laranja, mas cultiva 5,3 mil pés de goiaba. “Tenho mais 2 mil goiabeiras para começar a produzir este ano”, avisa.

Como produtor integrado da indústria, ele recebeu em 2016 R$ 0,36 pelo quilo da goiaba colocada na indústria, o mesmo preço do ano anterior. “Acho que esse valor é justo. Para mim sobra a metade”, diz o produtor, que gasta R$ 0,18 por quilo para produzir a fruta.

Para Santos, do sindicato, o preço de R$ 0,36 por quilo não é bom e seria necessário algo entre R$ 0,40 e R$ 0,50 para cobrir os custos.

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